Pânico em Wall Street afunda índices com fortes perdas

How Hwee Young / EPA

Um movimento de pânico apoderou-se hoje dos investidores em Wall Street, onde o índice mais emblemático da praça financeira afundou, depois de vários meses de euforia bolsista.

O Dow Jones Industrial Average entrou em queda súbita na segunda parte da sessão e, em menos de uma hora, superou os patamares dos 500, mil e 1.500 pontos perdidos. No seu nível mínimo, chegou a estar a cair mais de 10%, em relação ao nível recorde que estabeleceu em 26 de janeiro.

Transmitida em direto pelos ecrãs das televisões, esta descida captava em Nova Iorque a atenção dos transeuntes, constatou um jornalista da AFP. Depois de uma pequena recuperação no final da sessão, o Dow Jones acabou a perder 4,61%.

O índice tecnológico Nasdaq, por seu lado, perdeu 3,78%, e o alargado S&P500, que representa as maiores 500 empresas cotadas nos EUA, cedeu 4,11%.

Esta correção ocorreu no dia em que Jerome Powell chegou à cabeça do banco central norte-americano, em substituição de Janet Yellen. Mas há muito que os observadores esperavam esta correção, em particular depois de os índices somarem recordes atrás de recordes nos últimos meses.

O S&P 500 tinha registado em janeiro o seu melhor princípio de ano desde 1997.

Trump costuma felicitar-se, nas suas mensagens na rede social Twitter e nos seus discursos, pelo desempenho bolsista e tinha feito deste um argumento favorito para seduzir meios empresariais durante o mais recente Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.

Na segunda-feira, a Casa Branca assegurou, em comunicado enviado à estação televisiva CNBC, que “ficava sempre inquieta quando o mercado perde valor“. Mas um porta-voz, avançando “a flutuação dos mercados no curso prazo”, lembrou mais tarde que a economia dos EUA continuava “muito sólida” e “ia no bom sentido”.

A taxa de desemprego nos EUA é a mais baixa em 17 anos e o crescimento do produto interno bruto foi de 2,3% em 2017.

Tínhamos perdido o hábito de ver os índices acelerar do lado negativo”, observou Art Hogan, da Wunderlich Securities, um analista veterano da praça nova-iorquina. Esboçada na semana passada, a queda foi desencadeada por um aumento do nervosismo dos investidores com a subida das taxas de juro.

O anúncio de uma subida significativa dos salários em janeiro nos EUA intensificou, na sexta-feira, os receios de inflação e de o banco central norte-americano subir as suas taxas de juro de referência mais rapidamente do que previsto.

A taxa de juro para a dívida pública a 10 anos subiu hoje até aos 2,88%, o nível mais alto desde 2014. Esta evolução encarece o custo dos empréstimos tanto para as empresas como para os investidores e oferece aos corretores uma colocação mais remuneradora e menos arriscada que as ações.

“Durante vários anos, o mercado das ações era um pouco o único destino” para os investidores desejosos de rendimentos mais elevados que as ações, mas estas “estão um pouco sobreavaliadas”, estimou Jack Ablin, da Cresset Wealth Advisors.

“Agora, a questão é saber se os investidores que têm aproveitado todos os movimentos de baixa nos últimos meses para fazerem compras a bom preço vão tornar a aparecer, ou se se mantêm retraídos”, interrogou J. J. Kinahan, especialista de mercado na plataforma de corretagem TD Ameritrade.

A bolsa de Lisboa não resistiu e acusou o efeito Wall Street, abrindo a cair 2,89%. Na segunda-feira, o principal índice da bolsa de Lisboa, PSI20, encerrou com uma descida de 2,02% para 5.405,31 pontos, acompanhando a tendência negativa das bolsas europeias.

Das 18 cotadas que integram o PSI20, 17 desceram e uma, a Corticeira Amorim, subiu. A Pharol liderou as descidas com uma perda de 10,07%.

// Lusa

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