Pandemia torna automática a injeção de capital no Novo Banco em 2021

José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

Num “cenário de extrema adversidade”, está prevista uma injeção automática do Estado no Novo Banco. Marcelo diz-se “estupefacto” por saber que o banco precisa de mais capital.

O contrato relativo à venda do Novo Banco à Lone Star prevê que num “cenário de extrema adversidade”, como o causado por esta pandemia, as contas do banco possam ser compensadas com uma injeção automática do Estado. A informação é avançado pelo jornal Público, esta terça-feira.

Há duas condições para que o Estado injete capital no Novo Banco: caso os rácios de capital desçam abaixo dos 12% ou se verifiquem perdas nos ativos problemáticos abrangidos pelo mecanismo de capital contingente.

Esta injeção automática liberta o accionista norte-americano de assumir quaisquer riscos, salienta o matutino. O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, já tinha explicado a situação no Parlamento, em 2018.

“Nos termos deste mecanismo de capital contingente, o Fundo de Resolução compromete-se a realizar injeções de capital no Novo Banco no caso de se materializarem certas condições cumulativas, relacionadas com: o desempenho de um conjunto delimitado de ativos do Novo Banco; e com a evolução dos níveis de capitalização do banco”, disse o governador do BdP.

De acordo com o Observador, a pandemia covid-19 torna também mais provável que a Lone Star esgote a totalidade dos 3.890 milhões de euros que são o plafond previsto para a ajuda do Fundo de Resolução.

Marcelo “estupefacto”

O Presidente da República declarou esta segunda-feira ter ficado “estupefacto” com a notícia de que o Novo Banco vai precisar de mais capital do que o previsto para este ano devido ao impacto da covid-19.

Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre este assunto depois de ter dado uma aula em direto para o projeto de ensino à distância #EstudoEmCasa, nas instalações da RTP, em Lisboa.

“Eu não costumo comentar casos concretos de vida de instituições bancárias. Portanto, eu ouvi a notícia, fiquei estupefacto com ela, mas verdadeiramente não comento esse tipo de notícias, para não estar a entrar na situação concreta de instituições financeiras”, respondeu o chefe de Estado.

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, afirmou em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, divulgada no domingo, que “a deterioração da situação económica leva a necessidades de capital ligeiramente suplementares” às que estavam estimadas para este ano e que foram comunicadas ao Fundo de Resolução.

“Nós tínhamos um capital que esperávamos ir buscar antes da covid e há um capital que estimamos que possamos ter que necessitar no final do ano, depois da covid”, disse Ramalho.

O dinheiro recebido pelo Novo Banco para se recapitalizar totaliza 2.978 milhões de euros desde 2017, depois de a 8 de maio o Governo ter confirmado que foi realizada uma nova injeção de capital através do Fundo de Resolução bancário.

O montante transferido nessa semana foi realizado ao abrigo do mecanismo acordado na venda do Novo Banco à Lone Star, em 2017, segundo o qual o Fundo de Resolução compensa o banco por perdas em ativos com que ficou na resolução do Banco Espírito Santo.

Contudo, uma vez que o Fundo de Resolução, entidade financiada pelos bancos que operam em Portugal, não tem o dinheiro necessário às injeções de capital no Novo Banco, todos os anos pede dinheiro ao Estado, a quem deverá devolver o empréstimo ao longo de 30 anos.

Desta vez, dos 1.037 milhões de euros que o Fundo de Resolução colocou no Novo Banco, 850 milhões de euros vieram diretamente do Estado.

Também em 2018, dos 1.149 milhões de euros postos no Novo Banco, 850 milhões de euros vieram de um empréstimo do Tesouro. Em 2017, dos 792 milhões de euros injetados, 430 milhões de euros vieram de um empréstimo público.

No total, o Novo Banco já recebeu 2.978 milhões de euros do Fundo de Resolução para se recapitalizar, dos quais 2.130 milhões de euros foram de empréstimos do Tesouro.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Já era de prever que a pandemia iria servir de desculpa para tudo, principalmente nos negócios ruinosos do passado e do presente!
    A paciência dos portugueses é que um dia rebenta e depois não se queixem!

    • Tem toda a razão. Só lamento que o covid comece já a servir de desculpa para tudo e principalmente dos ladrões, politicos e corruptos deste país.
      Neste momento já deveriam estar a pagar por toda esta embrulhada os péssimos gestores que o banco tem e acima de tudo os anteriores como é o caso do salgado, socrates e afins.

  2. Importante era saber quem foi o responsável por este acordo com a Lone Star e saber se já não está a trabalhar para eles ou tem interesses associados a eles. Só assim se poderia anular este acordo e agir judicialmente contra quem o assinou. Estamos a ser lesados duplamente. O estado Português tem de deixar de ser tótó e aplicar auditorias credíveis, feitas pelas Finanças não por consultoras que estão no mercado e sabem que não podem ir contra possíveis futuros clientes, e verificar se a gestão não está a ser danosa, vendendo activos abaixo do seu valor (leia-se ao mínimo possivel, possivelmente a amigos) sabendo que quanto menor for o valor mais o Estado Português tem de injectar. Vigarices técnicas, por muito elaboradas que sejam, não deixam de ser vigarices.

  3. É preciso não ter qualquer pingo de vergonha para estarem a extorquir milhões ao povo português, quando os principais causadores da hecatombe financeira continuam a gozar de liberdade.
    Quantas empresas, grandes e pequenas sucumbiram por causa da pandemia? Nem por isso recorreram a dinheiros públicos. Agora estes senhores agiotas podem recorrer a dinheiros públicos? O que é mais triste é que o Governo vai acabar por ceder, para depois distribuirem mais prémios e regalias pelos acionistas e gestores. E o povo sempre a pagar.

  4. Cada português tem de gerir a sua casa SOZINHO, com ou sem Covid-19.
    O Estado que ajude primeiro quem trabalha bem, quem tem pago os seus impostos, quem precisa agora de ajuda, e, se sobrar algum dinheiro, empreste algum aos MAUS trabalhadores, MAUS gestores, MAUS donos de casa.
    Eu pergunto: Já sabem o resultado da “auditoria”? De que estão à esperta esses “peritos”? Será que estarão à espera que o processo caduque, e a serem pagos para prestarem, também eles, um mau serviço / trabalho? Isto só em Portugal.

  5. As vezes é melhor não sabermos de nada !…. porque sabendo ou não sabendo, nós contribuintes somos vigarizados a descarada, com a bênção de toda a classe Politica de um extremo ao outro. Triste sina a nossa !

  6. Deixemos de pagar os impostos ao Estado, comecemos a ser MAUS gestores, para ver se o Estado nos dá uma ajuda ou um prémio! Fazem cada acordo mas nós todos é que pagamos. Tiram do bolso do pequeno para dar ao GRANDE. Está na hora de um Novo 25 de Abril.

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