Britânico de 82 anos é o primeiro do mundo a tomar vacina Oxford/AstraZeneca. EUA ponderam dar apenas metade da dose da vacina

Christian Bruna / EPA

O processo de vacinação está a decorrer de forma diferente em vários países do mundo. Em alguns lugares do planeta a administração de vacinas está a decorrer de forma mais célere, enquanto noutros parece estar a ser um verdadeiro caos.

O Reino Unido parece ser um caso de sucesso. O país antecipou-se à União Europeia e começou esta segunda-feira a administrar a segunda vacina contra a covid-19, depois de a ter aprovado no penúltimo dia de 2020.

Um britânico de 82 anos foi a primeira pessoa no mundo, excluindo os participantes nos testes, a tomar a vacina da Oxford/AstraZeneca contra a covid-19. Aprovada na passada quarta-feira, dia 30 de dezembro, pela entidade reguladora do medicamento do Reino Unido, a vacina foi administrada pela primeira vez esta segunda-feira de manhã, numa antecipação do que deverá acontecer em breve na União Europeia.

Brian Pinker é doente renal e está internado no Churchill Hospital, um dos estabelecimentos de saúde da Universidade de Oxford. Num comunicado publicado pelo NHS (o Serviço Nacional de Saúde britânico), o homem mostrou-se “grato” por tomar a vacina e “orgulhoso” por ela ter sido criada em Oxford, de onde é natural. “As enfermeiras, os médicos e a equipa de hoje foram brilhantes.”

Desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, esta vacina é mais barata do que a da Pfizer, a primeira a ser distribuída na Europa, e mais fácil de armazenar, por requerer apenas uma refrigeração entre os 2 e os 8 graus Celsius, sendo que a da Pfizer necessita de menos 80ºC.

Escassez de vacinas nos EUA

No caso dos EUA, o processo de vacinação não está a ser tão simples como se julgava inicialmente.

Desta forma, os EUA ponderam administrar metade de cada dose de vacina contra a covid-19 para contornar a escassez de vacinas no país. Segundo o Observador, a informação surge depois de relatos de verdadeiro caos no processo de vacinação, com vários testemunhos de filas intermináveis para receber a primeira dose da vacina e falta de condições para pessoas mais velhas, que têm de esperar horas na rua.

Segundo o The New York Times, que cita Moncef Slaoui, o principal responsável pela operação de vacinação, os dados mais recentes da Moderna demonstraram que as pessoas entre os 18 e 55 anos que receberam duas doses de 50 microgramas mostraram uma “resposta imunológica idêntica” ao padrão de duas doses de 100 microgramas.

A Administração norte-americana está agora em conversações com a Food and Drug Administration (FDA) e a empresa farmacêutica Moderna sobre esta possibilidade.

Este cenário surge numa altura em que o Reino Unido decidiu adiar a administração da segunda dose da vacina enquanto tenta aumentar o número de pessoas que já receberam a primeira dose.

Também a Comissão Europeia já veio reconhecer a insuficiência de vacinas face à procura, prontificando-se a ajudar para aumentar da produção de vacinas contra a covid-19.

Maduro acusa países de bloquearem recursos para comprar vacinas

Também na Venezuela o processo de vacinação pode demorar longos meses. O presidente Nicolás Maduro acusa vários países, entre os quais Portugal, de reterem recursos que previa investir em medicamentos e alimentos para os venezuelanos. Desta vez, o dinheiro seria gasto em vacinas para a covid-19.

“Nós temos feito das tripas coração, porque os recursos para comprar a vacina estão congelados e roubados por instituições bancárias em Inglaterra, Portugal, Espanha e Estados Unidos”, disse Maduro, num balanço semanal sobre a luta contra a covid-19.

“Reclamámos para que nos entreguem o dinheiro para comprar a vacina, através da Organização Mundial de Saúde, e negaram. Por isso, faço esta denúncia”, sublinhou.

Contudo, Maduro reiterou que o governo venezuelano vai dispor, no primeiro trimestre do ano, de dez milhões de doses da vacina Sputnik V, na sequência da assinatura de um contrato com a Rússia no início da passada semana.

“A vacina russa não está bloqueada, conseguimos usar recursos e pagar com facilidades dadas pela Rússia, isso é ser um verdadeiro amigo da Venezuela.”

Já por várias vezes, o presidente exortou o Governo português a desbloquear os ativos do Estado venezuelano retidos no Novo Banco – ao todo, cerca de 1,5 mil milhões de euros.

Portugal, Espanha, EUA e Reino Unido integram o grupo de meia centena de países que não reconhecem a legitimidade de Maduro como presidente venezuelano, por questionarem os resultados das eleições de maio de 2018, nas quais o líder socialista foi reeleito.

Israel ignora palestinianos

O estado israelita celebra o sucesso do seu plano de vacinação que está a administrar 150 mil doses por dia e que já chegou a um milhão de pessoas, o que corresponde a um décimo da população.

Contudo, os 5 milhões de palestinianos que vivem na Cisjordânia e na Faixa da Gaza podem ter de esperar semanas ou meses pela vacina da Pfizer e da BioNTech.

As associações de direitos humanos acusam Israel de se esquivar das obrigações “morais, humanitárias e legais” para com aproximadamente 5 milhões de palestinianos que residem nestes territórios.

As autoridades israelitas estão disponíveis para fornecer doses excedentes aos palestinianos, mas frisam que não são responsáveis pela Cisjordânia e por Gaza.

Vários centros de vacinação foram instalados em estádios desportivos e em praças públicas. A prioridade vai para pessoas com mais de 60 anos, profissionais de saúde, cuidadores e grupos de risco.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, garantiu aos israelitas que o país pode ser o primeiro a livrar-se da pandemia.

Ana Moura, ZAP //

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