Oposição em pezinhos de lã em relação à reabertura da economia

Manuel de Almeida / Lusa

Uns defendem a reabertura da economia, outros pedem que o Estado coloque a saúde das pessoas em primeiro lugar, mas todos, em pezinhos de lã, vão deixando recomendações e cautelas. A semana termina com o anúncio do plano do Governo para reabrir o país.

Do leque de partidos com assento parlamentar, o PAN é o partido que reúne mais preocupações acerca da reabertura da economia portuguesa neste pós-estado de emergência. Sustentando que a saúde deve ser a prioridade do Estado, a líder parlamentar não assume, para já, se fará parte do consenso já anunciado para reabrir a economia.

Ao Expresso, Inês Sousa Real muniu-se de argumentos para avisar que o levantamento de algumas medidas pode ser precipitado: por um lado, o aumento do R0, o número que indica a quantidade de pessoas que cada infetado contagia, e as dúvidas expressas por constitucionalistas sobre a eficácia do estado de calamidade.

O Bloco de Esquerda concorda que o levantamento das medidas deve acontecer “quando as condições de saúde o permitirem”, mas prefere “aguardar” a concretização das medidas para opinar.

Defende, no entanto, que quando existir um levantamento parcial das medidas de restrição “deve ser garantida a proteção social das famílias que continuem a ser afetadas”. Para o partido, é preciso agir já para proibir despedimentos.

À direita, o plano é reabrir a economia, mas com cautela. Fonte oficial do PSD revelou ao matutino que os sociais-democratas reservam opiniões para depois de ouvir os especialistas e o Governo, mas no CDS já se ouve falar em efeitos da paralisação prolongada da economia.

Francisco Rodrigues dos Santos defende um “equilíbrio possível entre a segurança da saúde pública e a retoma da economia”, avisando, porém, que “o levantamento das medidas de contingência tem de acontecer de forma gradual e assimétrica, de modo a que o esforço que todos temos feito não fique comprometido”.

O Chega aplaude a reabertura, mas avisa que se não houver condições para a concretizar, “corremos o sério risco de sofrer um revés, não só ao nível da saúde pública, como também ao nível da economia”. André Ventura quer dar prioridade aos especialistas e defende uma “análise jurídica” às fronteiras entre o estado de emergência e o estado de calamidade.

A favor do regresso gradual à atividade económica, o Iniciativa Liberal aponta uma preocupação específica: um “plano de testes”, virológicos e serológicos, que será essencial até existir imunidade ou vacinação.

As opiniões técnicas surgem já esta terça-feira e serão transmitidas ao poder político. A semana culmina com o anúncio do plano do Governo de António Costa para reabrir o país.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Este governo tem oposição?!!!!! Só pode ser sacanagem… ou é invisível!!!!!!!! AH esquecia, tem um apenas, o Ventura. De resto, é o que os alemães chama de Scheisse!!!!!!

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