OMS desaconselha circulação do vírus para se atingir imunidade de grupo

Jean-Christophe Bott / EPA

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus

A Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselhou hoje a estratégia de deixar o novo coronavírus disseminar-se para atingir a chamada “imunidade de grupo”, considerando que coloca “problemas científicos e éticos”.

“Deixar circular um vírus perigoso que ainda não entendemos completamente não é ético nem é uma opção”, afirmou o secretário-geral da organização, Tedros Ghebreyesus, numa conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia na sede da OMS, em Genebra, citado pela agência Lusa.

Ghebreyesus frisou que deixar o vírus que provoca a covid-19 sem controlo “significaria infeções desnecessárias, sofrimento desnecessário e mortes desnecessárias”.

“Imunidade de grupo”, apontou, é um conceito médico relacionado com vacinação, que se verifica quando determinada população consegue estar protegida de uma doença infeciosa “a partir de um limiar” de pessoas vacinadas. Por exemplo, no sarampo, esse limiar é 95%, enquanto para a poliomielite o limiar mínimo é 80%, indicou.

Quando há essas taxas de imunização, o resto das pessoas que não estejam imunes acaba por estar protegida porque a doença não se espalha entre a população. “A imunidade de grupo atinge-se quando se protegem as pessoas, não quando se expõem às doenças”, declarou, salientando que “nunca na história da saúde pública” se agiu nesse sentido.

Pensar em deixar circular um vírus como o SARS-Cov2, referiu Tedros Ghebreyesus, coloca “problemas científicos e éticos”, desde logo porque não há ainda certezas sobre a capacidade de desenvolver imunidade sem vacina porque há casos de pessoas que apanharam a doença duas vezes.

Além disso, apontou, só agora se estão a estudar verdadeiramente os efeitos a longo prazo da covid-19 em pessoas que estiveram doentes. Por outro lado, combater a pandemia “não é uma escolha entre deixar o vírus à solta ou fechar um país”, frisou.

Proteger os mais vulneráveis e evitar concentrações que amplifiquem os contágios são medidas de saúde pública que a OMS continua a defender.

A pandemia já provocou mais de um milhão e setenta e sete mil mortos e mais de 37,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço da agência AFP. Em Portugal, morreram 2.094 pessoas dos 87.913 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Lusa // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Em caso de estrema necessidade de decretar o confinamento, o Sr. David Nabarro ( responsável da OMS), mostra-se contra esta medida. Ou seja deve andar tudo a vontade para aumentar o risco exponencial de transmissão da doença. Contrariamente ao seu “colega”, e de forma mais sensata, admite que, a dita “imunidade de grupo” provocada propositadamente, não passa de uma “solução” criminosa, ceifando a vida de pessoas mais vulneráveis em termos de Saúde, de uma certa forma comparando-se a uma “selecção natural” para não dizer um genocídio de grupos de pessoas mais fragilizadas. Provocaria, deste modo uma impossibilidade de resposta do SNS, aos inúmeros casos de contaminação Social quasi imediatos. Mas claro, para estes Srs., o Dinheiro em primeiro lugar !

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