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OMS alerta para terceira vaga duas semanas após o Natal

Guillaume Horcajuelo / EPA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, antecipam uma terceira vaga 15 dias depois do Natal.

Em Portugal, os especialistas adiantam que ainda não chegamos ao pico da segunda vaga, apesar do aumento galopante de mortes e infeções por covid-19. Em declarações ao Expresso, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, põe a carroça à frente dos bois e antecipa uma terceira onda duas semanas depois do Natal e da passagem de ano.

“A questão que se coloca é que provavelmente, independentemente do cenário em que estejamos a viver nessa altura festiva, que inclui Natal e passagem de ano, as pessoas vão ter tendência para se encontrar mais”, explica o epidemiologista.

“Temo que 15 dias depois desse período festivo possamos estar a assistir a um aumento do número de casos. Se estivermos numa situação com menor incidência, talvez o aumento não seja tão grande. Se estivermos numa situação de maior incidência, podemos assistir a um aumento importante”, acrescenta.

Ricardo Mexia lembra que “o período epidémico da gripe também tende a ocorrer já depois da entrada do novo ano” e que, por isso, a terceira vaga pode ser agravada nesta altura.

“Neste momento, o que estamos a assistir é uma maior pressão no Norte, resta saber se o padrão que se verificou na primeira [vaga] também se vai agora repercutir, que é a situação evoluir para a região de Lisboa e Vale do Tejo e prolongar-se-á no tempo”, disse ao Expresso o especialista, realçando que esta não é um questão linear.

David Nabarro, um enviado especial da Organização Mundial da Saúde para a gestão da pandemia, critica os países europeus por “falharam em criar a infraestrutura necessária nos meses de verão, depois de terem a primeira vaga controlada”. Citado pela Reuters, Nabarro alerta que “se não construirmos essas infraestruturas, teremos uma terceira vaga no início do próximo ano”.

“Tem de se esperar até o número de casos ser baixo e manter-se baixo. A reação da Europa foi incompleta”, atira.

  ZAP //

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