É oficial: António Guterres aclamado novo secretário-geral da ONU

Justin Lane / EPA

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu por unanimidade propor à Assembleia Geral o nome de António Guterres para liderar a ONU.

Agora é oficial. António Guterres foi esta quinta-feira aclamado secretário-geral das Nações Unidas, depois da votação formal do Conselho de Segurança.

Resta agora à Assembleia Geral da ONU a decisão final, por maioria simples de votos, que, em toda a história da organização, sempre escolheu o candidato indicado pelo Conselho de Segurança.

A decisão foi bem recebida na sede da ONU, em Nova Iorque, com as palmas de todos os deputados que se encontravam na sala do Parlamento.

O ex-primeiro-ministro sucede assim ao sul-coreano Ban Ki-moon e inicia funções a partir do dia 1 de janeiro de 2017.

O ainda secretário-geral das Nações Unidas já mostrou o seu apoio a Guterres, considerando que o conhece “muito bem” e que é uma “excelente escolha”.

O Governo português também já se congratulou com a aclamação, considerando ser “uma escolha que muito prestigia o país”, indicou em comunicado do Conselho de Ministros.

“O Governo congratula-se com o resultado obtido por Guterres na sexta votação para o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas, saudando o empenho da diplomacia portuguesa e a forma transparente como decorreu o processo de eleição promovido pela ONU”, lê-se na nota.

Para o Executivo, “esta é uma escolha que muito prestigia o país e vem reconhecer o elevado mérito e a notável carreira de serviço público de António Guterres, tanto a nível nacional como internacional, destacando o trabalho que desenvolveu ao longo de dez anos em prol da defesa dos direitos humanos, enquanto Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados”.

Assim, “o Governo português felicita António Guterres e deseja-lhe os maiores sucessos na liderança daquela que é a mais importante organização internacional”, conclui a nota.

“Militante n.º 127”

O PS também já apresentou uma nota de saudação, dizendo que o militante 127 do partido, e antigo secretário-geral socialista, é um homem de “extraordinárias qualidades”.

“O PS reafirma o profundo orgulho que sempre sentiu no seu militante n.º 127 e antigo secretário-geral, que tem uma longa e profícua história política que faz parte do património político e histórico do PS”, pode ler-se.

Guterres, frisa o PS, “está ligado a momentos absolutamente marcantes da história” do partido e de Portugal, “bastando recordar o seu papel crucial, como primeiro-ministro, na batalha diplomática internacional que levou à independência da República Democrática de Timor Leste”.

“Esta eleição de António Guterres corresponde, além do mais, ao mais participado, transparente e democrático processo de sempre na escolha do secretário-geral da ONU, o que só acentua as suas extraordinárias qualidades pessoais e políticas para o desempenho do cargo, largamente demonstradas ao longo de todo este processo, ultrapassando todas as fases com brilhantismo que o consolidaram como a personalidade mais indicada para o desempenho de tão importante função”, prosseguem os socialistas.

A escolha do português para o mais alto cargo das Nações Unidas abre, acredita o PS, uma “nova era de esperança e confiança numa instituição essencial na prossecução do ideal da paz e do desenvolvimento da Humanidade”.

O PS destaca também o trabalho do Presidente da República, do Governo, da diplomacia de Portugal, de todos os partidos e de “outros setores” do país que se souberam unir “em torno de uma candidatura abrangente e verdadeiramente nacional”.

Guterres já tinha praticamente garantido o lugar esta quarta-feira, depois de vencer a sexta votação informal do Conselho de Segurança, com 13 votos de encorajamento e sem qualquer veto.

Anteriormente, o socialista já tinha vencido também as cinco primeiras votações, sendo um claro favorito à liderança da ONU.

O ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados vai falar ainda hoje ao país, às 17h00, a partir do Palácio das Necessidades, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

ZAP / Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. É mais que justo!
    Este homem merece e fico contente, não apenas por ser português mas sobretudo porque é um homem sério, honesto, extremamente humano e competente.
    Parabéns para António Guterres.

  2. Como português, sinto grande orgulho em ter o ex-primeiro-ministro, eng.. António Guterres como secretário-geral da ONU, um cargo histórico de enorme relevância para Portugal e para os portugueses. O país já teve um presidente da Assembleia Geral da ONU, cargo ocupado e exercido com mérito pelo Professor Freitas do Amaral e um presidente da Comissão Europeia, cargo exercido pelo ex-primeiro-ministro Durão Barroso que teve, enquanto governante do país, uma atitude condenável em relação à invasão do Iraque, pactuou deliberadamente com a mentira, daí o “prémio” posterior na CE. No que se refere à eleição do eng. António Guterres para o mais alto cargo da ONU, não foi um processo pacífico porque, quer internamente, quer externamente, houve muita gente contra, não só pela partidarite doentia ao nível interno, mas também, devido àqueles que, a nível externo, a candidata de última hora. Termino este comentário, desejando as maiores felicidades ao novo secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

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