“O que eu fiz, não fui eu que fiz”. Rendeiro sacode culpas e diz que “não tem nada a temer”

Mário Cruz / Lusa

João Rendeiro, condenado a cinco anos e oito meses de prisão por falsificação informática no Banco Privado Português (BPP), rejeitou, em entrevista à TVI24 e ao ECO, mais responsabilidades do que as de outros administradores que foram condenados a penas suspensas.

Numa entrevista à TVI24 e ao ECO esta terça-feira, o antigo presidente do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, rejeitou ter mais responsabilidades do que outros administradores que foram condenados a penas suspensas, mas aceitou assumir as responsabilidades de forma solidária com os outros gestores executivos.

O que eu fiz, não fui eu que fiz. Não vê um único documento assinado por mim, um único email, não existe uma única prova direta que me ligue a esses factos. Não quero fugir a responsabilidades, agora o que eu não posso aceitar é que no quadro do conselho de administração que, segundo a lei, é um órgão solidário, todos são responsáveis pelos atos que acontecem no contexto da gestão”, disse o ex-presidente.

“Só pelo facto de me chamar João Rendeiro e aparecer nos jornais é que eu sou imputado. Não assumo as responsabilidades que são dos outros nem as assumo sozinho. Portanto, se os outros, que eram solidariamente responsáveis têm penas irrisórias, porque é que eu tenho uma pena pesada?”, interrogou.

Questionado sobre as suas responsabilidades, Rendeiro disse que “são responsabilidades que têm a ver com a gestão do banco em termos gerais e a relação com os acionistas, e ser embaixador do banco em termos públicos”.

“Eu penso que fizemos uma coisa que acho errada mas que foi bem intencionada. Em novembro de 2008, nós já tínhamos uma noção de que iria haver uma intervenção do Banco de Portugal e quisemos fazer a passagem de um balanço limpo para o Banco de Portugal. Isto na nossa… na minha ingenuidade, a pensar que o Banco de Portugal pretendia entrar no banco e viabilizar o banco”, explicou.

“Nesse sentido, fizemos algumas operações em novembro de 2008 de ‘limpeza de balanço que hoje não as teria feito. E foram nomeadamente duas operações feitas em novembro de 2008 que são justamente duas acusações“, acrescentou João Rendeiro.

Questionado sobre o que fará se a decisão do Tribunal Constitucional (TC) lhe for desfavorável, Rendeiro disse: “Eu sou uma pessoa livre de espírito, portanto, o que vai acontecer ou que não vai acontecer, veremos”.

Sobre se se entregará voluntariamente à justiça, o ex-presidente recusou falar de “situações hipotéticas”. “Agora o que eu noto é que estamos a falar de uma condenação de uma classe profissional, dos banqueiros, e eu pensava que a lei era igual para todos”.

Na mesma entrevista, Rendeiro diz que não há clientes lesados e que a linha de empréstimo de 450 milhões de euros com garantia pública concedida ao BPP serviu para pagar os depósitos a particulares e a institucionais. “Só não recebeu os seus depósitos quem não quis”, afirmou.

O fundador do BPP repetiu as críticas ao Banco de Portugal (BdP) e ao Governo da altura. “Na altura, havia uma aliança político-financeira do primeiro-ministro José Sócrates e do principal banqueiro do país na altura, o dr. Ricardo Salgado, no sentido de controlo do sistema financeiro português”

“O BPP estava a crescer de uma maneira muito rápida, estava a ‘pisar os calos’ aos grandes bancos” na área do private banking, assegurou.

João Rendeiro publicou o livro “Em defesa da honra”, uma espécie de testemunho sobre a ascensão e queda do banco. No livro, Rendeiro escreve que Teixeira dos Santos era conhecido como “o banana” e o governador do BdP à data, Vítor Constâncio, é apelidado de “cobarde”.

“Eu tenho a perder, como digo no título [do livro], a minha honra. Agora, o que eu lhe posso dizer é que não tenho nada a temer”, disse. “As pessoas estão muito preocupadas com o meu património, se é que estão, eu devo-lhe dizer que eu não estou. A única coisa que me preocupa é que a minha mulher esteja bem”.

“Eu escrevi no meu primeiro livro que deixaria à sociedade a minha fortuna, portanto, se alguém está preocupado com isso, tenho a impressão que está preocupada com coisas erradas, está preocupada com a mesquinhez, está preocupada com a pobreza, eu acho que deveria estar com criar riqueza e pensar como é que o país consegue ficar mais rico em vez de como é que o país fica mais pobre”.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Este João rendeiro, é como o Costa, acha que todos somos estúpidos e só eles se safom dessa calamidade. O país não fica mais rico, quando as instituições são destruídas pelos gananciosos, como ele, porque inocência, é o que este não deve ter. Esta instituição financeira, não só não estava a criar riqueza, como destrui a que poderia haver, e enchendo os bolsos de outros gananciosos como ele. Um dia destes, vamos formar um grupo para assaltar tudo onde haja dinheiro, e se formos apanhados, dizemos que era para deixar á sociedade. Será que pega?

  2. Oh coitadinho… onde é que já se viu um banqueiro criminoso ir parar à prisão?
    Não se faz… e logo o Rendeiro que apenas foi ingénuo e tem muita honra!!
    A lata destes bandidos é mesmo infinita!…

    • Mais uma vez está provado, que os “nossos” juízes, ou melhor: alguns juízes portugueses, não percebem patavina das leis. Condenam um “inocente”! isso não se faz!

      • Estes bandidos estão tão habituados a fazer o que lhes apetece sem qualquer consequências que, depois até ficam chocados quando se faz alguma justiça!!

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