Número de britânicos que partem para a Europa atinge o número mais alto da última década

O número de cidadãos britânicos que partem para os países da União Europeia (UE) atingiu o auge da última década, com a taxa de saída a acelerar desde o referendo, revelaram novas pesquisas.

De acordo com as conclusões iniciais de um relatório sobre a migração de cidadãos do Reino Unido, espera-se que 84 mil pessoas deixem a Grã-Bretanha para outro país da UE este ano, em comparação com 59 mil em 2008, noticiou o Guardian no sábado.

O relatório constatou que cerca de 11.500 pessoas se mudaram do Reino Unido para a Alemanha em 2018, em comparação com com mais de 8.500 em 2008.

A análise – realizada pelo grupo Oxford em Berlim e pelo WZB, o Centro de Ciências Sociais de Berlim – revelou que o número de britânicos que se inscreveram para a cidadania alemã aumentou significativamente. Enquanto 622 britânicos receberam a cidadania alemã em 2015, 7.493 foram naturalizados em 2017, um número que deve aumentar este ano. Para a UE como um todo, as naturalizações passaram de 2.106 em 2015 para 14.678 em 2017.

Daniel Tetlow, co-autor do estudo, que também analisou a natureza mutável de ser britânico no exterior, disse que por trás dos números está o surgimento de “um novo fenómeno social na identidade britânica”.

“Uma das coisas que acho mais marcante é essa nova identidade britânico-europeia que muitos referem. E não são apenas as privilegiadas classes médias. Conheci mecânicos britânicos orgulhosos, ex-forças britânicas, motoristas de ambulâncias britânicos, professores britânicos e britânicos desempregados e, por causa do ‘Brexit’, quase todos sentem uma nova motivação em serem europeus ativos, e não menos britânicos como resultado disso”, disse.

E acrescentou o investigador: “Sim, isso é parcialmente auto-preservação nesses tempos de incerteza, mas também vejo emergir um novo fenómeno social na identidade e na migração britânicas, porque as pessoas estão agora convencidas do valor de serem britânicas e europeias”.

A análise utilizou dados da OCDE e estatísticas do governo nacional. Pesquisas qualitativas foram realizadas durante quatro meses com cidadãos britânicos na Alemanha que deixaram o Reino Unido entre 2008 e 2019.

Dos entrevistados, disseram que 30% indicaram que o ‘Brexit’ teve um impacto direto na sua saúde mental. Metade afirmou que consideraria renunciar à nacionalidade britânica, se necessário, para poder manter a nacionalidade da UE. Garantir a cidadania permite que os britânicos mantenham as vantagens da adesão à grupo.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Pode até ser verdade. Daqui a uns anos a situação vai inverter, mais, os habitantes da UE vão figir dela para outras paragens, fora da UE.

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