Da incerteza ao alívio. Pai da agressiva resposta da Nova Zelândia explica abordagem

Mário Cruz / Lusa

Michael Baker, o médico que idealizou a resposta agressiva à pandemia por parte da Nova Zelândia, explicou o que inspirou a sua estratégia bem-sucedida.

A Nova Zelândia tem sido amplamente elogiada pela sua resposta agressiva à pandemia de covid-19. No momento da redação deste artigo, o país conta apenas com 14 casos ativos. Michael Baker, o médico que formulou a estratégia de eliminação do novo coronavírus, confessa que, no início, muitos dos seus colegas duvidaram da abordagem radical, resistindo à sua implementação. Agora, estão rendidos.

A Nova Zelândia registou o primeiro caso de infeção a 28 de fevereiro e, à semelhança do resto dos países, planeou, numa primeira fase, aumentar gradualmente as medidas restritivas para controlar o surto. No entanto, Michael Baker, um especialista em saúde pública da Universidade de Otago que integrou o painel consultivo do Governo, insurgiu-se contra a abordagem.

Segundo o New Scientist, Baker inspirou-se num relatório da Organização Mundial da Saúde sobre a China, datado de fevereiro, para chegar à conclusão que a Nova Zelândia poderia impedir a propagação do vírus – e até eliminá-lo completamente – se implementasse um bloqueio rigoroso o mais rápido possível.

A ala que se mostrou contra a ideia de Baker argumentou que a abordagem ideal seria uma mais leve, como a da Suécia. Muitos acreditavam que a disseminação da covid-19 era inevitável e que uma estratégia de eliminação “nunca funcionaria”.

Mas o Governo decidiu optar pelo conselho de Baker, devido ao seu histórico em saúde pública. A 25 de março, com apenas 205 casos, o Governo neozelandês implementou um dos mais rígidos bloqueios do mundo: as pessoas só podia sair de casa por razões essenciais, como comprar comida ou ir ao médico.

Baker sentiu-se “muito emocionado” com a decisão do Governo, mas também ansioso por não saber se a estratégia iria funcionar. Tudo decorreu como Baker havia planeado: colocar o país inteiro em quarentena no início da transmissão comunitária deu às autoridades tempo para fortalecer as capacidades de testagem e rastreamento de contactos.

O país registou apenas 1520 casos covid-19 e 22 mortes até ao momento. A 8 de junho, a Nova Zelândia suspendeu todas as suas restrições, exceto as medidas de controlo de fronteira.

“Houve uma incrível sensação de alívio”, resumiu Michael Baker.

Para proteger a Nova Zelândia contra uma potencial segunda vaga, Baker acredita que é fundamental o uso de máscaras em transportes públicos e instalações de controlo de fronteiras.

Michael Baker, pai da abordagem neozelandesa, está orgulhoso do sucesso do país, mas está consciente de que é muito importante não se tornar complacente ou presunçoso. O especialista adverte que outros países que aparentemente superaram o vírus, como a China e a Coreia do Sul, sofreram surtos subsequentes.

ZAP //

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