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Nova Iorque quer confinar nove bairros. Paris prestes a voltar ao alerta máximo

Justin Lane / EPA

Nova Iorque é o epicentro da pandemia de covid-19 nos EUA

A cidade norte-americana pretende confinar nove bairros para travar as novas infeções por covid-19. Na Europa, Paris sobe nível de atenção para alerta máximo e fecha os bares da capital francesa por duas semanas.

O mayor de Nova Iorque propôs este domingo às autoridades do estatais o fecho de escolas e atividades não essenciais em nove bairros de Brooklyn e Queens, onde os casos de coronavírus têm vindo a aumentar nas últimas semanas.

Numa declaração, o presidente da Câmara (mayor), o democrata Bill de Blasio apelou para o encerramento de atividades não essenciais a 7 de outubro e para a proibição de atividades “de alto risco” em 11 outros bairros da cidade de Nova Iorque.

A proposta precisa da aprovação do Governador do Estado, Andrew Cuomo, para se tornar efetiva. Se Cuomo aprovar, será a primeira vez que a maior metrópole norte-americana, que se tornou um modelo de controlo da epidemia depois ter registado cerca de 24.000 mortes, é obrigada a regredir no desconfinamento.

“Os nova-iorquinos trabalharam arduamente para controlar a covid-19 e não fazemos esta proposta de ânimo leve”, disse o presidente da câmara. “Mas nesta cidade, a ciência guia as nossas decisões e fazemos o que os factos nos dizem para fazer“, acrescentou o democrata, numa crítica implícita ao governo de Donald Trump e aos republicanos acusados de desvalorizar a pandemia de covid-19.

Dos nove bairros afetados, seis estão em Brooklyn, particularmente em áreas onde a comunidade judaica ortodoxa está fortemente representada, e três situam-se em Queens, incluindo um bairro perto do aeroporto John F. Kennedy.

Estes nove bairros têm em comum o facto de a taxa de positividade ter permanecido acima dos 3% nos últimos sete dias, apesar das múltiplas intervenções dos serviços de saúde para assegurar que as máscaras são usadas, são utilizados gestos de barreira e as pessoas são encorajadas a serem testadas.

Em seis dos nove bairros, a taxa é atualmente superior a 5,6% e é ainda mais elevada, com 8,3%, no bairro de Borough Park, em Brooklyn, onde funcionários da saúde foram vaiados há 10 dias por um ativista judeu ortodoxo que denunciou o uso de máscaras.

A proposta de confinamento parcial surge numa altura em que, após semanas de controvérsia, Nova Iorque acaba de reabrir parcialmente as escolas públicas, num modelo que alterna o ensino presencial e ‘online’, e reabriu os restaurantes a 25% da sua capacidade. Os Estados Unidos são o país com mais mortos (209.399) devido à covid-19 e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 7,3 milhões).

Paris em alerta máximo fecha bares

Na Europa, onde se acredita já ter chegado a segunda vaga da doença, Paris vai recuar.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a cidade francesa está prestes a ficar em alerta máximo para a covid-19, o que implica o encerramento de bares durante duas semanas e novas medidas para que os restaurantes continuem abertos.

As medidas devem entrar em vigor já esta terça-feira, 6 de outubro.

A decisão surge no mesmo momento em que há notícias de que as autoridades da Irlanda se preparam para recomendar o regresso ao confinamento e em que há documentos que mostram que Inglaterra se prepara para apresentar planos mais rígidos.

Um comunicado do Governo francês refere que trabalhar a partir de casa deve ser priorizado “agora mais do que nunca” na área de Paris, frisando que as salas de aulas nas universidades devem ter uma limitação reduzida a metade.

 

“Estas medidas, indispensáveis ​​na luta para conter a disseminação do vírus, vão aplicar-se a Paris e aos três departamentos imediatamente à sua volta, por um período de duas semanas”, pode ler-se na nota, citada pelo jornal britânico.

Para que uma cidade fique em alerta máximo, a taxa de incidência deve ultrapassar 100 infeções por 100.000 entre os idosos e 250 por 100.000 entre a população em geral.

  ZAP // Lusa

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