Ninguém cala Maurice. Queixas dos vizinhos não impedem galo de cantar

Os donos de uma casa de férias na ilha francesa de Oléron queixaram-se de que o galo Maurice cantava cedo demais. O tribunal decidiu que o “símbolo da França rural” pode cantar quando bem lhe apetecer.

O caso começou com uma queixa de “distúrbio anormal da vizinhança“. A acusação foi avançada por dois agricultores reformados de Haute-Vienne, que tinham casa de férias em Oléron e se sentiam incomodados pelo canto matinal de Maurice.

A casa ao lado de Maurice acusava-o de ser barulhento e cantar demasiado cedo. Também se queixaram do seu companheiro, o cão e ainda de buzinas e música. Tudo junto, um “dossier do barulho” e um “incómodo sonoro“, apontou o advogado da acusação.

O caso tornou-se paradigmático, pois em França o galo é considerado símbolo nacional, elevando-se uma guerra entre rural e urbano. O galo da discórdia, da ilha Oléron, chegou mesmo a ser elevado a símbolo da Franca rural e, esta quinta-feira, o tribunal deliberou a seu favor, multando os queixosos.

O tribunal, além de ter decidido que os queixosos não conseguiram provar que Maurice fosse um incómodo, multou-os em mil euros, a serem pagos por danos a Corinne.

“É uma vitória para todos os que estão na mesma situação que eu”, comentou Corinne Fesseau, dona do galo gaulês, que vive em Saint-Pierre-d’Oléron há 35 anos. “Espero que crie um precedente”, cita a AFP.

Assim que foi oficialmente acusado de perturbar a paz campestre dos vizinhos, Maurice tornou-se uma celebridade mundial — uma petição a favor do galo chegou a atingir perto de 140 mil assinaturas; foi também criado ‘merchandising’ e ainda milhares de cartas de apoio chegaram de todos os pontos do mundo, conta a Reuters.

A audiência decorreu em Julho e no tribunal de Rochefort os advogados de Corinne tiveram que defender que a acusação era ridícula, porque “os galos fazem parte da vida do campo”. Agora que a situação se resolveu legalmente, Corinne Fesseau sugere uma lei Maurice para que se possa proteger todos os ruídos naturais do campo.

Bruno Dionis du Sejour, presidente da câmara de Gajac já tinha escrito em maio uma carta a defender esta ideia: incluir os sons do campo — do badalar dos sinos ao cantar dos galos e mugidos das vacas — na lista do património francês.

Desta forma, seria possível defender a banda sonora da vida rural contra quaisquer queixas semelhantes, que se tornam cada vez mais frequentes. Especialmente em zonas como a de Saint-Pierre-d’Oléron, em que os sete mil habitantes durante o ano passam para mais de 35 mil na altura do Verão.

Ainda assim, este julgamento não é o último deste tipo. De acordo com o Le Monde, em Landes, o tribunal de Dax vai examinar, no início de outubro, o caso de patos e gansos acusados de gargalhar muito alto.

DR, ZAP //

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