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“Saída do sofrimento.” Na Nigéria, as letras de hip hop encorajam o cibercrime

A Internet trouxe benefícios mas também muitos riscos, entre eles o crime cibernético. Na Nigéria, este tipo de fraude representa 0,08% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que torna o cibercrime uma ameaça ao investimento estrangeiro direto e ao desenvolvimento socioeconómico.

A corrupção, a pobreza e o desemprego estão entre os principais motivos que levam os jovens a envolverem-se em crimes cibernéticos na Nigéria. No entanto, há um aspeto invulgar de contexto cultural em torno da cibercriminalidade: a música.

Oludayo Tade, investigador da Universidade de Ibadan, analisou três canções de hip hop nigerianas – Yahooze de Olu Maintain (2007), Maga Don Pay de Kelly Hansome (2008) e Living Things de Abolore Adigun (2017) – e descobriu que as letras retratam os crimes cibernéticos de maneiras positivas.

Tendo em conta que os músicos de hip hop são influentes na sociedade nigeriana, especialmente entre os jovens, estas músicas podem ser capazes de moldar realidades sociais.

Todas as músicas analisadas pelo investigador glorificam e justificam o crime cibernético. “Saída do sofrimento”, “jogo” ou “trabalho” com enormes benefícios materiais são algumas das definições dadas a este crime.

Yahooze, de Olu Maintain, justifica os gastos dos cibercriminosos com objetos de luxo e retrata-os como homem que trabalham durante a semana e só têm tempo para atividades sociais nos fins de semana.

Maga Don Pay, de Kelly Hansome, também exalta os crimes cibernéticos e invoca o ser supremo (Deus) para celebrar o sucesso deste crime – no fundo, os criminosos bem-sucedidos recebem a bênção de Deus.

Por último, Living Things, de Abolore Adigun, retrata o sucesso como uma estratégia para superar os adversários e acumular riqueza. Neste sentido, ao igualar os cibercriminosos a outras pessoas que trabalham, esta letra reconhece a capacidade inovadora e a motivação destas pessoas..

Os músicos têm um grande poder em mãos: fazer com que um grande número de seguidores se identifiquem com a sua visão do mundo – incluindo a sua visão do comportamento criminoso, que pode incentivar o crime cibernético.

  Liliana Malainho, ZAP //

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