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Inquérito defende que primeira-ministra da Escócia enganou o Parlamento. Foi sem querer

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First Minister of Scotland / Flickr

A primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, não violou intencionalmente as regras oficiais nem enganou o Parlamento sobre uma investigação ao seu antecessor, segundo um inquérito independente concluído esta segunda-feira, que a absolve das alegações que geraram pedidos de renúncia. 

A investigação de um advogado irlandês, James Hamilton, seguiu-se a meses de conflitos internos sobre o papel de Nicola Sturgeon numa investigação fracassada sobre as alegações de má conduta sexual feitas contra Alex Salmond, um ex-aliado próximo que a precedeu como primeiro-ministro da Escócia.

“Sou de opinião que a primeira-ministra não violou as disposições do Código Ministerial em relação a qualquer um desses assuntos”, concluiu o inquérito de Hamilton, referindo-se ao código de ética sob o qual os membros do governo escocês operam.

A investigação de Hamilton versou sobre episódios que poderiam colocar a idoneidade da primeira-ministra em causa, nomeadamente o facto de ter enganado o Parlamento ao esconder a informação que tinha sobre as acusações e sobre quando tomou conhecimento das mesmas.

Sturgeon recebeu Salmond em sua casa, em Glasgow, a 2 de abril de 2018 e, a 6 de junho do mesmo an informou a pessoa que gere os assuntos relativos ao Governo em funções, Lesley Evans.

Soube-se ainda que Sturgeon não disse aos deputados que se encontrara, a 29 de março de 2018, com o ex-chefe de gabinete de Salmond, Geoff Aberdein, para discutir as “questões de natureza sexual” nas quais aquele se via envolvido.

O relatório culmina, segundo o The New York Times, numa rivalidade amarga entre as duas figuras dominantes da política escocesa recente, um drama que afetou Sturgeon, gerando acusações de que enganou legisladores, quebrou regras e até conspirou contra o seu antecessor.

Os políticos da oposição chegaram mesmo a pedir a renúncia de Sturgeon, que esteve sob forte pressão no início deste mês, quando prestou um depoimento durante oito horas a um comité parlamentar num inquérito separado sobre os mesmos eventos.

Hamilton disse que Sturgeon violou as regras de conduta, mas sem intenção. Assim, na sua opinião, a primeira-ministra não é culpada de qualquer infração. As conclusões de Hamilton parecem acabar com qualquer possibilidade de Sturgeon se demitir, o que significa que provavelmente sobreviverá a um voto de desconfiança no Parlamento escocês se for aprovado esta semana.

No entanto, a crise lançou uma sombra sobre o impulso pela independência da Escócia, bem como sobre a carreira de Sturgeon.

Estimulada por uma sucessão de sondagens que mostravam o apoio da maioria à independência, Sturgeon esperava que o Partido Nacional Escocês, a maior fação do Parlamento Escocês, ganhasse a maioria geral nas eleições marcadas para maio e exigisse um segundo referendo sobre se se deve quebrar a união de 314 anos do seu país com Inglaterra.

No referendo de independência de 2014, 55% dos eleitores escoceses eram a favor de permanecer no Reino Unido. Contudo, desde então, a Grã-Bretanha deixou a União Europeia (UE), um projeto profundamente impopular na Escócia, onde 62% votaram contra o Brexit num referendo de 2016.

  Maria Campos, ZAP //

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