Negociações com o Irão abrem divisão entre EUA e Israel

Pete Souza / Whitehouse

Barack Obama com Netanyahu (foto: Pete Souza / Whitehouse)

Barack Obama com Netanyahu (foto: Pete Souza / Whitehouse)

Poucos dias depois da primeira rodada de conversações entre as maiores potências mundiais e o Irão em Genebra, começam a aparecer divisões entre Israel e seu principal aliado, os Estados Unidos. Neste domingo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, exortou os EUA a aumentarem sua pressão sobre o Irão, enquanto altos funcionários norte-americanos assinalaram com a possibilidade de reduzir as sanções económicas contra Teerão.

O jornal israelita Haaretz, por sua vez, publicou o que seriam as linhas gerais da proposta iraniana no processo de negociação, cuja próxima rodada está marcada para começar em 7 de novembro.

Em entrevista à rede NBC, o secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, disse que é “prematuro” falar em relaxamento das sanções económicas impostas ao Irão. Lew sugeriu que os EUA vão adotar um ponto de vista mais gradualista ao responder a gestos iranianos e não endossou a linha dura defendida por Israel, que acusa o Irão de estar desenvolvendo um programa nuclear com fins militares.

Outros altos funcionários norte-americanos disseram que a Casa Branca está a debater a possibilidade de oferecer ao Irão uma oportunidade para receber de volta biliões de dólares em ativos congelados nos EUA, caso Teerão aceite reduzir o seu programa nuclear. As sanções económicas seriam mantidas, mas o descongelamento dos ativos tomados pelos EUA ajudariam a aliviar as dificuldades económicas enfrentadas pelo Irão.

Também entrevistado pela NBC, Netanyahu afirmou ser contra um “acordo parcial”. “Acho que nesta situação, enquanto não virmos ações, ao invés de palavras, a pressão internacional precisa continuar a ser aplicada, e mesmo aumentada. Quanto mais pressão, maior a chance de que haverá um genuíno desmantelamento do programa nuclear militar iraniano”, disse o primeiro-ministro mais tarde, durante uma reunião com seu gabinete.

O Irão afirma que seu programa nuclear é estritamente civil, para gerar energia e produzir isótopos para uso médico. Como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o país  submete-se a inspeções da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Israel, por sua vez, é considerado o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares; por não ter assinado o Tratado de Não Proliferação, o país não permite a inspeção de suas instalações nucleares, existentes desde o começo dos anos 1970, por agências internacionais.

Netanyahu afirma que a pressão sobre o Irão precisa de ser mantida até que o governo de Teerão suspenda todo o enriquecimento de urânio, remova do país todo o seu urânio enriquecido e feche todas as instalações de enriquecimento de urânio, entre elas uma que poderia, segundo Israel, ser usada para produzir plutónio.

Outro jornal israelita, o Yediot Ahronot, noticia que parece inevitável uma “explosão” entre Netanyahu e o presidente dos EUA, Barack Obama. Segundo o jornal, altos funcionários do círculo mais próximo de Netanyahu “mantêm uma preocupação profunda de que o presidente norte-americano esteja preparado para reduzir as sanções contra o Irão mesmo antes de as conversações serem concluídas”.

Ephraim Asculai, ex-funcionário da Comissão de Energia Atómica de Israel e atualmente investigador do Instituto de Estudos para a Segurança Nacional, disse que é cedo demais para falar numa divisão entre Israel e os EUA, porque a posição norte-americana ainda não está clara. Para ele, o mais importante é “impedir que o Irão ganhe tempo enquanto avança com seu programa de armas”.

MA / AE-AP, Agência Estado

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