Navio com 64 migrantes preso no mar há uma semana está sem água nem comida

Christophe Petit Tesson / EPA

O barco humanitário onde 64 pessoas estão “presas” há uma semana sem porto onde desembarcar está praticamente sem água nem comida, anunciou um porta-voz da organização Sea-Eye.

O “Alan Kurdi”, da organização humanitária alemã Sea-Eye, está há uma semana “preso” no mar Mediterrâneo, sem porto onde atracar, depois de tanto a Itália como Malta terem recusado a entrada dos 64 migrantes – 50 homens, 12 mulheres e 2 crianças.

A organização humanitária tem pedido a Malta e a Itália que permitam o desembarque, até porque o barco está sem comida nem água, mas nenhum dos países deu autorização, tendo as autoridades italianas impedido até a aproximação à ilha de Lampedusa.

Esta terça-feira, uma jovem de 24 anos teve de ser retirada por pessoal médico e atendida num hospital de Malta depois de ter desmaiado, referiu a porta-voz da organização humanitária, Luca Marelli.

De acordo com o porta-voz da ONG, o navio está, desde da manhã desta terça-feira, sem alimentos, água potável e roupa suficientes para as necessidades. Embora tenha referido que “todos precisam desembarcar o mais rapidamente possível”, Luca Marelli sublinhou especial urgência em relação a um bebé de 11 meses, uma criança de seis anos e uma mulher grávida, que se encontram entre os migrantes “presos” no “Alan Kurdi”.

As autoridades italianas admitiram apenas a entrada no seu território de duas mães com dois filhos, mas elas rejeitaram abandonar o barco e separar-se do resto das suas famílias.

Um dos responsáveis da ONG no barco, Jan Ribbeck, explicou, entretanto, que algumas das pessoas estão “a dormir na coberta” do navio, onde não se podem abrigar do temporal que atinge aquela zona. Os migrantes que estão na coberta molham-se e voltam a molhar-se e não têm roupa para se mudarem, pelo que têm cada vez mais frio, sublinhou Ribbeck.

Na cabine do barco, onde cabem cerca de 20 pessoas, estão normalmente mais do dobro, muitas delas enjoadas e doentes, acrescentou. Ribbeck explicou que a sua principal preocupação é “o consumo de água”, necessária não só para beber, como para as pessoas se lavarem e para cozinhar.

Esta não é a primeira vez que um país recusa receber um barco com migrantes e refugiados a bordo, situações que têm acabado por ser resolvidas apenas quando outros governos europeus aceitam dar asilo aos migrantes.

Em janeiro deste ano, dois barcos com quase 50 migrantes estiveram parados no mar, junto à costa de Malta, durante semanas.

Os navios de resgate também pertenciam a uma organização não-governamental alemã, e tinham recolhido 32 migrantes de um barco sem condições de segurança, na costa da Líbia, a 22 de dezembro, e depois mais 17 a 29 de dezembro.

Os dois navios estiveram parados em águas maltesas vários dias, depois de Malta, Itália e outros países europeus se terem recusado a oferecer abrigo aos migrantes. O caso acabou por resolver-se quando oito países europeus, incluindo Portugal, decidiram acolher os migrantes.

// Lusa

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