“Não serve”. Lisboa e Madrid contra travão da UE ao gás

Manuel de Almeida / Lusa

O secretário de Estado da Energia, João Galamba

Países ibéricos foram os mais críticos da proposta da comissão e esperam alterações na reunião de 13 de dezembro.

Portugal e Espanha mostraram-se contra a nova proposta da Comissão Europeia para a criação de um “travão de emergência” aos preços do gás natural negociados no índice holandês TTF, que serve como referência para os mercados grossistas de eletricidade europeus. João Galamba, secretário de Estado do Ambiente e da Energia, explicou que a “proposta não serve para Portugal“, pelos menos nos moldes em que foi idealizada. Sugeriu, por exemplo, melhor manter o mecanismo ibérico em vigor, que mantém a eletricidade nos 60 euros por MWh.

Teresa Ribera, vice-presidente do Governo espanhol e ministra de Transição Ecológica, destratou a proposta logo na chegada à reunião em Bruxelas, escolhendo palavras ainda mais duras. “É uma piada de mau gosto da Comissão Europeia. Tal como está desenhada, esta proposta é inaplicável e ineficaz. Tem problemas de desenho e de preço – não pode ser tão alto nem fixo. E pode ter o efeito contrário do desejado, aumentar os preços do gás em vez de os conter.”

O objetivo de Bruxelas parece ser o de criar um limite máximo temporário, que funcionará como “mecanismo de último recuso”, ou seja, só se os contratos futuros do índice holandês TTX excederem os 275 euros por MWh durante duas semanas e se a diferença entre este preço e o do gás natural liquefeito for superior a 58 euros durante um período de tempo superior a 10 dias.

Segundo o Negócios, João Galamba mostra-se contra esta proposta da Comissão precisamente por misturar “dois temas que não devem ser misturados: a disfuncionalidade de um índice quando comparado com outros índices, nomeadamente o gás natural liquefeito, e outro tema ao nível de preço do gás“.

Após a reunião, a representante espanhola já escolheu palavras mais moderadas, referindo que “existe um grande espírito de consenso para melhorar a proposta e chegar a um acordo” na próxima reunião, agendada para 13 de dezembro. Do lado português, Galamba garantiu que já “tornou claro os nossos argumentos e fizemos sugestões de melhorias, como fizeram outros países”. Acrescentando que “ainda há um longo trabalho a fazer”.

  ZAP //

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