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“Não são os militares do passado que devem decidir sobre as Forças Armadas do presente”

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Rodrigo Antunes / Lusa

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho

O ministro da Defesa considerou, esta quarta-feira, que as críticas à reforma militar são sempre as mesmas e baseadas num “guião” produzido por um conjunto de oficiais que saíram das Forças Armadas há mais de uma década.

“Não são os militares e muito menos os militares do passado que devem decidir sobre como funcionam as Forças Armadas do presente e do futuro”, afirmou João Gomes Cravinho aos jornalistas, à margem de uma visita ao Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), em Matosinhos.

O governante disse que ficaria muito surpreendido se não existissem críticas porque, sustentou, são as mesmas que se fizeram ouvir em 2009, 2014 e “muito provavelmente” se vão fazer ouvir cada vez que a tutela política “queira tocar” nas Forças Armadas.

As críticas são sempre as mesmas, vêm do mesmo guião que foi produzido por um conjunto de oficiais que saíram das Forças Armadas há mais de uma década e que, obviamente têm direito às suas opiniões, mas não são donos das Forças Armadas”, sublinhou o ministro.

Gomes Cravinho explicou que a reforma militar foi desenvolvida a pensar nas necessidades do presente e do futuro e não a olhar para o passado. Houve um trabalho de diálogo com as chefias atuais das Forças Armadas e não com as do passado, assim como com as instituições, frisou ainda.

O ministro disse que, agora, a reforma militar vai seguir a tramitação normal e passar pela Assembleia da República. Segue-se agora o debate na generalidade, a 12 de maio, e análise na especialidade das propostas do Governo.

As propostas que alteram a Lei de Defesa Nacional e a Lei Orgânica das Forças Armadas, aprovadas em Conselho de Ministros no dia 8 deste mês, centralizam competências no chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).

António Ramalho Eanes, antigo Presidente da República, tem sido a voz mais severa contra as propostas do Executivo socialista, nomeadamente devido à reforma da Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas (Lobofa).

Em declarações ao jornal Público, Ângelo Correia, coordenador da área de Defesa do conselho estratégico nacional do PSD, considera que o ex-chefe de Estado está a reagir como “antigo chefe do Estado-Maior do Exército”.

“Não tenho uma visão destrutiva dessas pessoas, alguns são amigos, mas penso que me estou a aproximar dos modelos e das necessidades para o futuro. Eles estão a centrar-se muito na visão do passado“, afirmou o dirigente do PSD.

Relativamente às críticas dos antigos chefes militares, pela reforma que concentra poderes no chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), o social-democrata disse que se tratam de “modernos chefes”, que “têm uma visão diferente, obviamente”.

“Porque, se não tivessem, seguramente não teriam aceitado e ter-se-iam ido embora, mas isso não aconteceu”, acrescentou.

Apesar da convergência sobre a nova Lobofa, o PSD tem, porém, algumas críticas a fazer à política de Defesa do Governo, destacando que não se está a combater a falta de pessoal.

“Há uma falha de cerca de cinco mil homens de patente mais baixa, temos mais oficiais do que soldados, mais chefes do que executantes”, sublinhou, acrescentando que Gomes Cravinho ainda não teve “a força necessária para colocar no Orçamento esta questão”.

  ZAP // Lusa

1 Comment

  1. Até agora só se ouviu dizer que são necessárias reformas, sem explicação do que se pretende obter com elas. Não é correto dizer-se que os militares no ativo concordam com as reformas por até agora não terem havido vozes discordantes. Os militares, por lei, exceto os da reforma, estão impedidos de se pronunciarem, pelo que o Ministro da tutela está abusivamente a tirar partido desse facto.

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