“Não há justificação” para que a Proteção Civil não tenha usado o aviso via SMS

Estela Silva / Lusa

A Associação Proteção e Socorro (APROSOC) considera que “não há justificação” para que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) não tenha utilizado as SMS de alerta à população durante as depressões “Elsa” e “Fabien”, que atingiram o país entre o fim desta semana e este domingo.

A reação da APROSOC surge depois de o Jornal de Notícias ter avançado na sua edição deste domingo que o uso destes alertas, considerado internacionalmente um dos melhores meios de aviso, foi dispensado pela Proteção Civil.

Em declarações ao matutino, Miguel Cruz, adjunto de operações da ANEPC, admitiu que “a opção passou por trabalhar mais a ligação com as populações via comunicados de imprensa com a colaboração dos órgãos de comunicação“.

Ao jornal Público, o comandante da ANEPC, Duarte da Costa, indicou neste domingo que os meios de alerta utilizados durante a tempestade Elsa são “muito mais eficazes” nestas circunstâncias do que o envio de mensagens escritas por telemóvel (SMS).

“Nesta altura as SMS não seriam o meio ideal. Através dos serviços municipais de proteção civil, temos outros meios mais rápidos e mais específicos para passar mensagens efetivas, que sejam compreendidas pela população, que foi o que sucedeu”, disse o responsável aos jornalistas, dando conta que a opção foi tomada dois dias antes da chegada da tempestade a Portugal.

No entanto, as justificações apresentadas pela Proteção Civil não convencem a APROSOC. “Não há qualquer justificação para que o aviso por SMS não tenha sido utilizado”, disse João Paulo Saraiva, da associação, em declarações à TSF. “Nem toda gente tem acesso às redes sociais, nem toda a gente tem Internet nos telemóveis, nem toda a gente está atenta aos órgãos de comunicação social”, recordou.

Nesta situações, as mensagens escritas ajudariam a “complementar” a forma de aviso às populações afetadas pelas depressões.

O JN, que este domingo lançou a notícia, avança esta segunda-feira que as SMS não foram utilizadas por falta de pessoal. De acordo com o diário, a utilização deste serviço depende do voluntarismo dos funcionários do “call center” da ANEPC, que têm antecipadamente de se disponibilizar para realizar este serviço, uma vez que não há gente suficiente.

Esta situação condiciona diretamente a utilização do sistema que em julho do ano passado foi contrato pelo Estado à NOS, MEO e Vodafone. Custou 900 mil euros e tem a duração de um ano.

“O sistema de aviso SMS não é o mais eficaz”

À TSF, o representante da APROSOC afirma ainda que o sistema de mensagens não é o mais eficaz. “É um problema essencialmente político”, explica, dando conta que a difusão celular seria uma melhor forma de fazer os avisos à população.

Em 2010 e 2011, conta, a APROSOC e a ANEPC apresentaram propostas ao Governo para que fosse implementado sistema de difusão celular. “O sistema de aviso por SMS não é, seguramente, o sistema mais eficaz. Qualquer pessoa mal-intencionada pode criar falsos avisos por SMS, qualquer um o pode fazer, é muito fácil enganar as pessoas”.

A difusão celular, defende João Paulo Saraiva, “tem a possibilidade de ter mais texto e não tem tantas vulnerabilidades”. A Proteção Civil “não deve ser um negócio”, atira.

“Não faz qualquer sentido que o Estado português tenha uma despesa de mais de um milhão de euros por ano para suportar este serviço, que é muito caro para a utilidade que está a ter”, lamenta João Paulo Saraiva.

“Estamos a falar de um serviço de utilidade pública e que, inclusivamente, permite aos operadores de telecomunicações a sua promoção. A Proteção Civil não deve ser um negócio”, remata à TSF o responsável.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. um milhão de euros para os Boys se banquetearem!!! E apenas por um ano … um cidadão normal envia os milhares de e-mails e SMS que quiser sem qualquer custo, mas o estado paga um milhão por ano … é estranho … e ainda mais estranho quando nem usa o serviço …. e não usa porquê? Porque não tem pessoal? Num País com mais de 700 mil funcionários públicos? Eu explico – os senhores FP querem (como todos nós) ter todas as férias no Natal, Passagem de Ano e Agosto – claro que numa empresa normal isto não é admitido e têm de se revezar nessas férias (este ano eu – para o ano tu – todos queremos férias nesses periodos mas sabemos que não pode ser assim) – mas quando toca ao Estado ninguém se preocupa se os serviços ficam vazios ou se perdem a capacidade de resposta e dá nisto: Passamos o ano todo a pagar a funcionários de um serviço de emergências e depois corremos o risco de estarem todos de férias durante as ditas emergências! Grande Organização e Produtividade, como sempre, embora premiadas com ordenados e regalias muito acima daqueles que têm de pagar a festa!

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