Alcochete. “Se Mustafá estivesse lá aquilo não tinha acontecido”

Tiago Petinga / Lusa

O arguido Emanuel Calças disse, esta sexta-feira, em tribunal que, se Mustafá estivesse com o grupo que invadiu a academia do Sporting, “aquilo não tinha acontecido”.

“Tenho a certeza de que se o Mustafá estivesse presente aquilo não teria acontecido”, afirmou Emanuel Calças, durante a 33.ª sessão do julgamento, admitindo que só quando chegou “ao estacionamento de terra batida, junto à academia” percebeu que a ação não tinha o apoio da claque Juventude Leonina.

O arguido acrescentou ainda que só no momento em que Nuno Mendes [conhecido por Mustafá] não apareceu é que percebeu que não havia ligação com a Juve Leo, explicando que antes tinha visto uma mensagem no grupo de Whatsapp “de alguém a dizer que ele ia”.

Este elemento admitiu ter ido à academia numa ocasião anterior com o líder da claque, também arguido e acusado da autoria moral dos 97 crimes do processo, falar com os jogadores, reconhecendo que dessa vez passou pela segurança e foi de cara destapada.

O 14.º arguido a ser ouvido em tribunal disse que a única agressão de que se apercebeu na invasão foi quando ouviu o treinador Jorge Jesus a dizer que tinha sido agredido.

Emanuel Calças, que estagiou no gabinete de comunicação do Sporting, explicou que alguns arguidos organizaram um grupo de Whatsapp para “pressionar os jogadores sobre o que aconteceu na Madeira”, onde, dois dias antes da invasão, os leões perderam por 2-1 com o Marítimo e foram afastados do segundo lugar da I Liga e, consequentente do acesso à qualificação para a Liga dos Campeões.

O arguido, que disse ter colocado uma balaclava “por causa dos jornalistas”, afirmou não ter batido, nem ver ninguém a bater, admitindo ter pensado que o jogador Bas Dost “estava lesionado” quando o viu “a cambalear e a ser apoiado”.

No início da sessão da tarde, foi ouvido o jogador de voleibol Miguel Maia, testemunha arrolada pela defesa de Bruno de Carvalho, que descreveu o antigo líder do Sporting como “um presidente fora do normal”, destacando a sua proximidade com a equipa.

O arguido Afonso Ferreira também admitiu hoje em tribunal ter fugido “em pânico” da academia, quando viu o futebolista holandês “apoiado nos ombros de duas pessoas”.

“No corredor, antes de entrar para o balneário, vejo o Bas Dost aos ombros de duas pessoas, entrei em pânico e fugi dali. Só queria sair dali, não foi para aquilo que eu fui lá”, disse o arguido.

Afonso Ferreira, que à data dos factos tinha 19 anos, disse não se lembrar de “ter visto sangue” no corpo do futebolista, atingido na cabeça com um cinto durante a invasão.

O arguido, que entrou na academia com a cabeça “coberta com uma balaclava e em passo de corrida”, disse ter ido a Alcochete para “fazer pressão verbal para ver se os jogadores reagiam”.

O arguido Miguel Ferrão, também ouvido hoje, admitiu ter chegado ao balneário “depois de passar por Bas Dost, que não estava magoado, no corredor”, e ter-se dirigido ao jogador William Carvalho, o primeiro que viu.

“Estavam alguns jogadores, mas o primeiro que vi foi William Carvalho e disse-lhe que não era digno de vestir a camisola do Sporting”, disse, acrescentando: “Depois o Coates falou comigo, estava assustado e perguntou-me o que se estava a passar. Eu disse-lhe que também não percebia o que se estava a passar”.

Admitindo que o uso da balaclava “se calhar, era para criar um impacto maior nos jogadores”, disse ter saído do balneário quando ouviu alguém dizer: “Isto correu mal, vamos embora”.

Durante a manhã, foram também ouvidos os arguidos Paulo Patarra e Jorge Almeida, que disse ter ido a Alcochete para “dar uma força aos jogadores para o jogo de domingo [final da Taça de Portugal, com o Desportivo das Aves].

O julgamento prossegue, na próxima quarta-feira, com a audição de quatro arguidos, entre os quais Mustafá, que deverá ser ouvido à tarde.

O processo da invasão à Academia tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes.

ZAP // Lusa

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