Motoristas pedem nova reunião. “Há sempre possibilidade de a greve ser desconvocada”

António Pedro Santos / Lusa

O vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques

O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) revelou que pediu “uma nova reunião ao ministério das Infra-estruturas para tentar um acordo e assim evitar a greve” dos motoristas.

Em declarações à RTP3, no programa Grande Entrevista, Pedro Pardal Henriques explicou que “a reunião foi informalmente aceite pelo Ministério das Infra-estruturas” e deverá realizar-se na próxima segunda-feira, dia 5 de agosto.

“Há sempre a hipótese de a greve ser desconvocada, estamos sempre dispostos a negociar”, garantiu o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), que também é advogado.

A greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa a 12 de agosto, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá de fixar os serviços mínimos para a greve, depois das propostas dos sindicatos e da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, considerou que “todos” devem estar preparados para os “transtornos” da greve dos motoristas de mercadorias, enquanto o responsável pela tutela das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, assegurou que o Governo está “a trabalhar” naquela questão e que os serviços mínimos “serão numa dimensão muito satisfatória”.

A greve do SNMMP iniciada a 15 de abril levou à falta de combustíveis em vários postos de abastecimento em todo o país, tendo o Governo acabado por decretar uma requisição civil e convidar as partes a sentarem-se à mesa das negociações.

O SIMM já veio dizer que as consequências desta greve serão mais graves do que as sentidas em abril, já que, além dos combustíveis, vai afetar o abastecimento às grandes superfícies, à indústria e aos serviços, podendo “faltar alimentos e outros bens nos supermercados”.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, admitiu esta segunda-feira a utilização das Forças Armadas para minorar os efeitos da greve dos transportadores de combustíveis, desde que “tenha o enquadramento constitucional apropriado”.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sou completamente contra esta e qualquer outra greve. Nunca fiz greve na vida nem nunca vou fazer. As pessoas são pagas para prestar um determinado serviço à empresa que os contrata. Se não estão satisfeitas com o acordo são livres de procurar outro emprego. Quem se deixou chegar a um ponto que não arranja emprego em mais lado nenhum, só tem a si mesmo a culpar-se. Tivesse estudado e trabalhado mais.

  2. Costuma-se dizer que “uma cara diz tudo”, certo é que o rosto deste individuo e as declarações proferidas na C.S, não me inspiram a minima confiança !…. Gente deste calibre está Portugal cheio, infelizmente !

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