Motoristas inflexíveis. “Deve ser reconhecida a nossa diferença”

Carlos Barroso / Lusa

Esta terça-feira, a Antram reúne-se pela segunda vez com os representantes do sindicato responsável pela paralisação nacional que deixou Portugal na reserva antes da Páscoa. Os motoristas de matérias perigosas querem salário base de 1200 euros, mas os patrões não cedem.

Para a tarde desta terça-feira está marcada a segunda reunião entre os motoristas de matérias perigosas e os empresários de transporte e em cima da mesa está a negociação de um acordo.

A primeira reunião não terminou da melhor forma, com o sindicato a sair do encontro a criticar o facto de a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) não ter levado nada preparado para negociar. Para este segundo encontro os representantes dos motoristas vão ouvir os patrões as explicações para a “impossibilidade” de aceitar um salário base de 1200 euros, uma das principais reivindicações dos motoristas.

Esta foi também uma das grandes reivindicações que marcaram a greve que aconteceu antes da Páscoa. A paralisação foi levantada depois da mediação do Governo, tendo sido assinado um acordo negocial que obriga ambas as partes a chegar a um acordo.

Numa outra reunião com representantes de outros sindicatos, inscritos na Fectrans, Gustavo Paulo Duarte, presidente da Antram, tinha já referido a impossibilidade de aceitar aquele valor como salário base, afirmando que nenhum país europeu pratica esse nível de salários. Além disso, adiantou que a Antram não pode fazer distinções de salários, referindo que todos são motoristas de transportes pesados de mercadorias.

Paulo Duarte admitiu que também não é a favor de uma distinção entre motoristas de primeira e de segunda, e que a Antram está empenhada em reunir com todos os representantes sociais.

“A Antram continuará a defender um contrato coletivo de trabalho vertical e que este seja cumprido por todo o setor, de forma a termos finalmente um mercado regulado e que todas as empresas estejam sujeitas às mesmas regras, pois só assim será possível trabalhar em verdadeira concorrência leal”, defendeu a associação, numa posição pública tomada no final da reunião com a Fectrans.

De acordo com o Público, a Antram deu a entender que irá reunir com todas as estruturas sindicais em apenas dez dias. Depois de ter reunido com a Fectrans no dia 3, esta terça-feira reúne-se com o SNMMP, tendo agendada uma reunião no dia 13 de maio com os representantes do SIMM – Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias. Além disso, irá ainda calendarizar uma reunião com o SNM – Sindicato Nacional de Motoristas.

Tanto na questão dos salários como na questão das categorias de motoristas, Francisco São Bento, presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matéria Perigosas (SNMMP) discorda de Paulo Duarte.

“O memorando que assinámos dá-nos um prazo até ao fim do ano para chegarmos a um acordo. Mas espero que ele esteja fechado antes disso. Não precisamos de esperar até ao fim do ano para o resolver”, afirmou o responsável, reiterando que o assunto será discutido na reunião desta terça-feira.

Ainda assim, Francisco São Bento lembra ao Público que a principal reivindicação do sindicato passa pelo reconhecimento de uma categoria profissional para os motoristas de matérias perigosas.

“Não se trata de haver motoristas de primeira ou segunda. Trata-se de haver categorias diferentes. E aos motoristas de matérias perigosas deve ser reconhecida essa diferença”, argumentou, lembrando “a responsabilidade acrescida” que têm estes motoristas, e a formação profissional que é obrigatória e renovável periodicamente.

ZAP //

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