Número de mortos por reclamar triplicou em Lisboa. Hospitais põem corpos em contentores

Mário Cruz / Lusa

O número de mortos por reclamar triplicou em Lisboa e os hospitais viram-se obrigados a colocar os cadáveres em contentores junto às morgues para guardar corpos.

À medida que o número de mortes por covid-19 não dá sinais de abrandamento, os hospitais têm cada vez mais dificuldades em lidar com os corpos. Num hospital da Grande Lisboa há cadáveres alinhados em macas, lado a lado, numa sala ampla, há dias à espera de serem levados para um funeral, descreve o Observador. São 57, mas poucos dias antes chegaram a ser 80.

Também o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) recebeu em Lisboa o dobro dos cadáveres que normalmente costuma receber quando existem dúvidas sobre as causas da morte e é necessária uma autópsia. Nunca houve tantos corpos por reclamar.

O presidente do INMLCF, Francisco Corte Real, diz que não quer “repetir as imagens que nos chegaram de outros países em março”, embora já se estejam a reproduzir em alguns hospitais da capital.

“Com este aumento de corpos e sendo espaços partilhados, houve necessidade de se fazer um reforço. Alguns hospitais aumentaram a capacidade de frio e o Instituto também o fez”, explicou Corte Real.

Segundo as contas do INMLCF, em janeiro de 2020, deram entrada 993 corpos. Em comparação, em janeiro de 2021, quando o número de mortes por covid-19 disparou, deram entrada 1.445 cadáveres. Isto reflete um aumento de 45%, para o qual contribuiu sobretudo a região de Lisboa, que registou quase o dobro de casos.

O mesmo acontece em casas e lares, chegando a ficar mais de um mês sem alguém que reclame os corpos. Houve uma triplicação destes casos, lê-se na publicação.

Artur Palma, dono de uma funerária, descreve o cenário aterrorizante que presenciou quando lhe abriram a porta de um contentor de um outro hospital lisboeta para procurar o corpo que iria enterrar: “Não havia listas, estavam todos em macas. Então, eu e a minha mulher tivemos de começar a tirar as macas todas cá para fora e, com a luz do telemóvel, ler todas as identificações até encontrarmos a nossa. Parecia um filme. Um verdadeiro cenário de guerra”.

Neste hospital, os corpos são tantos que foram colocados em seis contentores refrigerados junto à morgue. Há cadáveres que chegam a nunca ser reclamados por já não terem família ou perderem contacto com ela.

Os familiares de doentes com covid-19 que morrem em hospitais fora da área de residência, estão a deparar-se com a dificuldade de terem de ser os próprios a tratar da recolha dos corpos e da sua trasladação.

Daniel Costa ZAP //

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