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Morreu Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril

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André Kosters / Lusa

Otelo Saraiva de Carvalho

O capitão de Abril morreu, este domingo, aos 84 anos, no Hospital Militar, confirmou o presidente da Associação 25 de Abril.

A notícia foi confirmada ao jornal online Observador pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, que explicou que Otelo Saraiva de Carvalho se encontrava internado no Hospital Militar.

Segundo a rádio TSF, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho nasceu em Lourenço Marques, agora Maputo, capital de Moçambique, no dia 31 de agosto de 1936.

Foi mobilizado para Angola como capitão de artilharia, em 1961, tendo lá ficado em comissão de serviço até 1963 e, de acordo com o jornal Público, também esteve na Guiné entre 1970 e 1973.

Foi o coronel responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora do MFA (Movimento das Forças Armadas), tendo ficado a seu cargo a elaboração da estratégia militar da “Revolução dos Cravos”, a 25 de Abril de 1974, que pôs fim ao Estado Novo.

Liderou o COPCON (Comando Operacional do Continente) durante o período do PREC, tendo sido afastado do cargo após o 25 de Novembro de 1975 e foi preso na sequência desses acontecimentos, mas foi libertado três meses depois, conta a TSF.

Chegou a candidatar-se à Presidência da República, nas eleições de 1976, nas quais obteve mais de 16% dos votos. Quatro anos depois, criou o partido FUP (Força de Unidade Popular) e voltou a candidatar-se, mas dessa vez reuniu apenas 1,5% dos votos.

A 25 de novembro de 1983, o capitão de Abril recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, situação que gerou muitas críticas por já estar acusado de ter liderado a FP-25, organização armada responsável por vários atentados e mortes.

Foi preso em 1984, tendo ficado cinco anos em prisão preventiva. Em 1996, a Assembleia da República aprovou um indulto, seguido de uma amnistia para os presos do caso FP-25.

Marcelo destaca a “importância capital” do capitão

“O Presidente da República, consciente das profundas clivagens que a sua personalidade suscitou e suscita na sociedade portuguesa, evoca-o, neste momento como o Capitão que foi protagonista cimeiro num momento decisivo da história contemporânea portuguesa”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota publicada no site da Presidência da República.

O chefe de Estado considerou que “ainda é cedo para a história o apreciar com a devida distância”, no entanto, salientou que “parece inquestionável a importância capital que teve no 25 de Abril, o símbolo que constituiu de uma linha político-militar durante a revolução, que fica na memória de muitos portugueses associado a lances controversos no início” da democracia, “e que suscitou paixões, tal como rejeições”.

Marcelo Rebelo de Sousa relembrou ainda o que disse no último 25 de Abril “acerca da aceitação que os portugueses devem procurar construir, todos os dias, relativamente a sua história pátria”.

Na nota, o Presidente apresentou à família de Otelo Saraiva de Carvalho e à Associação 25 de Abril os seus sentimentos, realçando o “papel central de comando no 25 de abril”.

“Um dos mais ativos capitães de abril, exerceu funções muito relevantes durante a revolução e candidatou-se à Presidência da República em 1976. Afastado do poder na sequência do 25 de novembro de 1975, viria a ser considerado, pela Justiça, envolvido nas FP25, condenado e amnistiado”, escreveu.

Numa nota do primeiro-ministro António Costa, “o Governo lamenta o falecimento do coronel Otelo Saraiva de Carvalho e endereça as mais sentidas condolências à sua família, assim como à Associação 25 de Abril”.

“A capacidade estratégica e operacional de Otelo Saraiva de Carvalho e a sua dedicação e generosidade foram decisivas para o sucesso, sem derramamento de sangue, da Revolução dos Cravos”, elogiou.

Na perspetiva de António Costa, Otelo Saraiva de Carvalho “tornou-se, por isso, e a justo título”, um dos símbolos do 25 de Abril.

“Neste dia de tristeza honramos a memória de Otelo, como um daqueles a que todos devemos a libertação consumada no 25 de Abril e, portanto, o que hoje somos”, enalteceu.

De acordo com a mesma nota, Otelo Saraiva de Carvalho “foi o coordenador operacional da ação militar do Movimento das Forças Armadas, que, no dia 25 de abril de 1974, derrubou o regime do Estado Novo, pondo fim à mais longa ditadura do século XX na Europa e abrindo caminho à democracia”.

  ZAP // Lusa

5 Comments

  1. Grande homem. Vi o uma vez só, em Cascais quando ele entrou no Registo Predial. Todos os fachos que tinham e devem ter aquela lugar como habitat, entraram num silêncio pesado e ele, a simplicidade em pessoa, sorriu. Pois ele é que ganhou para nós a dignidade

  2. O melhor lema de campanha Presidencial que jamais existiu, devemo-lo ao Otelo: “Na Presidencia, um Amigo”.

    Foi um politico desastrado, mas um grande Homem. E digam o que disserem os fascistas encapotados, sim, foi ele o lider do 25 de Abril – a Historia e’ o que foi, nao o que os Orwelianos tentam re-escrever.

    R.I.P., Otelo.

  3. A minha Liberdade de contestar Publicamente as acções e inacções dos sucessivos Governos e “Desgovernos” desde o 25 Abril, sem ir preso ; devo-a a Homens de coragem como a este Ilustre protagonista,que devolveu a Democracia ao Povo Português. Obrigado Coronel Otelo, repouse em Paz !

  4. Vejo muitos escandalizados só por falar do nome Salazar ou Marcello Caetano… Grande figura do 25 de Abril, concordo. Infelizmente, ligou-se ao crime! Ao terrorismo. Quando morre um terrorista das fp25 já está tudo fixe! Que grande homem! Mao Tsé Tung, Hitler, Lenine, Mussoline… Também… pelas piores razões…

  5. Vejo muitos escandalizados só por falar do nome Salazar ou Marcello Caetano… Grande figura do 25 de Abril, concordo. Infelizmente, ligou-se ao crime! Ao terrorismo. Quando morre um terrorista das fp25 já está tudo fixe! Que grande homem! Mao Tsé Tung, Hitler, Lenine, Mussoline, Staline.. Também o foram pelas piores razões…

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