Morreu atada a uma cama a mulher condenada por ajudar famílias sírias

Alia Abdulnoor, uma mulher dos Emirados Árabes Unidos condenada a 10 anos de prisão por terrorismo, depois de ter ajudado financeiramente famílias sírias, morreu numa cama de hospital, com as mãos e os pés atados, devido a um cancro da mama. A família alega que foi obrigada a rejeitar o tratamento para a doença.

“Alia morreu num quarto de hospital, fortemente vigiada, quando tudo o que queria, nos seus últimos dias, era morrer com o cuidado amoroso da sua família”, conta a investigadora Hiba Zayadin que pertence à organização humanitária Human Rights Watch (HRW) em declarações ao jornal El Mundo.

“Apesar da sua saúde delicada, as autoridades dos Emirados [Árabes Unidos] ignoraram os repetidos apelos de grupos de direitos internacionais, de eurodeputados, de especialistas da ONU e da sua própria família para a deixarem em liberdade por motivos médicos”, acrescenta Hiba Zayadin.

Alia foi diagnosticada com cancro da mama depois de ter sido detida, em 2015. Em 2017, acabou por ser condenada a 10 anos de prisão por crimes de financiamento a grupos terroristas.

“Membros da sua família disseram que acreditam que a sua prisão está relacionada com pequenas doações que fez a famílias sírias, em 2011, no início da revolta síria”, explicava a HRW num comunicado divulgado no início do ano, como cita a Reuters.

A organização humanitária também anunciou que os Emirados Árabes Unidos a impediram de receber tratamentos médicos para o cancro. Ela estaria apenas a tomar medicamentos para as dores.

Uma versão que as autoridades do país não confirmam, alegando que Alia estava “a receber tratamento no departamento de oncologia do hospital Tawam, na cidade de Al Ain, a este da capital Abu Dhabi”, como frisa a Reuters, citando um porta-voz do Ministério Público dos Emirados Árabes Unidos.

A mesma fonte refere que há dois anos, Alia “recusou fazer os tratamentos prescritos para o tumor” e que fez “greve de fome em várias ocasiões” enquanto esteve detida.

Mas a família está certa de que ela foi obrigada a assinar um documento onde renunciou ao tratamento do cancro da mama.

A doença já foi detectada numa fase avançada e Alia encontrava-se nos Cuidados Intensivos do hospital desde Janeiro de 2018. Antes disso, terá passado por um verdadeiro martírio às mãos das autoridades dos Emirados Árabes Unidos.

Durante cerca de seis meses, não se soube do seu paradeiro, e terá estado detida numa cela sem janelas e sem luz. Ela revelou que não a deixavam dormir, nem tomar banho ou sequer rezar.

Ao cabo de um ano, quando foi confrontada com as acusações de terrorismo, terá sido coagida a confessar.

Antes de ter sido internada num hospital, esteve 11 meses presa numa cela que dividia com mais 15 mulheres.

Acabou por morrer neste sábado, 4 de Maio. “A morte dela é um lembrete trágico de que a retórica dos Emirados sobre tolerância nada mais é do que palavras vazias”, lamenta Hiba Zayadin no El Mundo.

SV, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

    • Não podia estar mais de acordo. Mas os políticos são, grosso modo e salvo honrosas excepções, um bando de cobardes hipócritas.

    • E só aos ocidentais é exigido que se pronunciem? O mundo tem à volta de 193 países oficiais, tudo está calado que nem ratos covardes que são, mas é ao Ocidente que se vem sempre pedir contas! E os russos que fornecem armas a mais de meio mundo? E aos chineses? Nada? Pois bem, com esses podia berrar, que não lhe ligavam algum e continuam a fazer dos Direitos Humanos um utopia nos seus países! Curioso é não “verem” aqui intromissões em estados soberanos. Isso é que me faz cá uma confusão. Sé para acabar, não acha estranho que um país muçulmanos castigue uma cidadão por ajudar os siros (a maioria irmãos de fé e raça) e por cá tanta tinta se fez correr para ajudar qualquer um, ao ponto de um terrorista em Portugal ter recebido rendimento de inserção? Eu acho.

  1. com essa gente ninguem fala… só quando ocidente estiver independente de outras fontes de energia que nao o petrol…
    Pessoas a serem tratadas como animais…isto faz sentido para eles para nos é que nao… a que respeitar as leis de outros povos….

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