“É um ataque ao direitos humanos”. Monarquia volta a ser contestada na Tailândia

Narong Sangnak / EPA

Na Tailândia, a Monarquia está a ser contestada publicamente pela primeira vez, num movimento protagonizado principalmente por estudantes.

Pede-se a limitação do poderes monárquicos e uma democratização do país. É o maior protesto desde o Golpe Militar de 2014.

“É a primeira vez que o alvo dos protestos é a Monarquia. Nunca antes se atacou a mais alta instituição do país”, disse Anon Nampa, um dos líderes do movimento, ao Expresso. “Queremos a democratização do país, e por isso exigimos uma emenda à Constituição que faça da Tailândia uma verdadeira Monarquia Constitucional”.

Pavin Chachavalpongpun, professor associado do Centro de Estudos sobre o Sudeste Asiático na Universidade de Quioto, diz que a Monarquia tornou-se um problema.

“Acredito que se aceitaria a Monarquia se as exigências fossem respondidas. Mas não estou otimista. Não acredito que o rei aceite. Diga-me um ditador na História que tenha abdicado do poder?”, questionou o tailandês exilado no Japão. “Talvez tenha chegado a altura de irmos mais longe e termos uma República”.

Uma das principais fontes de contestação é precisamente o rei tailandês, Maha Vajiralongkorn. No ano passado, a dias da cerimónia da sua coroação, anunciou que se casou com a sua guarda-costas Suthida Vajiralongkorn Na Ayudhya. A excentricidade do monarca levou a que os tailandeses não nutrissem grande admiração pelo seu rei.

Para piorar a situação, dois anos depois, transferiu a fortuna da família real para seu nome. De acordo com a Forbes, Maha Vajiralongkorn tem uma fortuna avaliada em cerca de 25 mil milhões de euros.

A saudação da saga cinematográfica “The Hunger Games” tornou-se um símbolo do movimento. O gesto simboliza as três exigências dos manifestantes: alterações à Constituição, dissolução do Parlamento e o fim da intimidação aos críticos do status quo.

A pandemia de covid-19 não vem ajudar em nada. As medidas de controlo da propagação tiveram um efeito devastador na economia do país, algo que vai adensando o descontentamento dos tailandeses.

O Governo garante estar atento às preocupações do povo, mas não põe em questão o abandono da Monarquia.

“A lei tem sido usada como arma política. É um ataque aos direitos humanos, mas também levanta dificuldades à Monarquia. Se for usada demasiadas vezes acaba por se criar a ideia de que o rei é o problema. Vajiralongkorn tem sido bastante inteligente na gestão da legislação”, explicou Pavin Chachavalpongpun.

ZAP //

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