Ministro cabo-verdiano pede demissão após saber que cônsul financiou partido Chega

mfarussia / Flickr

O ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, pediu demissão

Luís Filipe Tavares, ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa de Cabo Verde, pediu esta terça-feira a demissão dos cargos. A renúncia acontece depois de ter sido transmitida uma reportagem, pela SIC, sobre as ligações de Caesar DePaço, cônsul de Cabo Verde na Florida, ao partido Chega. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, pediu a demissão dos cargos esta terça-feira. Segundo uma nota do Governo enviada à Lusa, o primeiro-ministro aceitou a renúncia.

Em comunicado, o ministro começa por afirmar que no processo de escolha do cidadão português Caesar DePaço para cônsul honorário de Cabo Verde na Florida, nos Estados Unidos, esteve “sempre de boa fé” e que baseou a decisão no facto de o mesmo “ter sido cônsul honorário de Portugal por vários anos, de ser uma pessoa bem colocada e considerada na sociedade americana e de pretender investir em Cabo Verde tendo os recursos próprios necessários”.

“Baseei-me também nas informações a respeito do mesmo obtidas de fontes independentes e credíveis”, afirmou.

Em causa está uma reportagem da SIC sobre o partido Chega, “A Grande Ilusão”, emitida na segunda-feira. O trabalho identificou que um financiador daquele partido, cidadão português, foi nomeado cônsul honorário de Cabo Verde na Florida.

A nota acrescentou que o primeiro-ministro aceitou a demissão e que, entretanto, apresentará ao Presidente da República o nome do novo ministro dos Negócios Estrangeiros e ministro da Defesa.

Não inquiri, nem poderia inquirir, sobre as simpatias políticas do Dr. DePaço no contexto americano e português, guiado pela inabalável crença na liberdade de escolha político-partidária que deve ser reconhecida a todos os cidadãos, sem qualquer distinção”, acrescenta, no comunicado, Luís Filipe Tavares.

Além disso, assume que é sua “convicção” que “tais simpatias são irrelevantes no critério de escolha de cônsules honorários ou qualquer outro cargo”.

“Sendo também certo que Cabo Verde não deve imiscuir-se nas questões partidárias de outros países, nem permitir que tais questões interfiram nas suas escolhas, do mesmo modo que não aceita a interferência de partidos políticos estrangeiros nas questões internas do país”, afirmou.

Defende ainda que “a prova cabal da probidade” de DePaço “foi o exequátur [autorização de um Estado à admissão de um cônsul de outro Estado] que lhe foi concedido pelas autoridades americanas”, o que não o levou a suscitar “a necessidade de indagações suplementares”.

Estou de consciência tranquila dada pela convicção que, neste caso e noutros, procurei sempre fazer o meu melhor para servir Cabo Verde. Considerando, porém, informações adicionais e recentes postas a circular, sem fazer qualquer juízo de valor sobre o seu mérito e ainda imbuído do espírito de poupar a Cabo Verde a crispação adicional e o desgaste que resultam das eventuais repercussões políticas negativas, não poderia ter outra atitude que não fosse a de requerer a sua excelência, o primeiro-ministro, a minha exoneração do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades e de Ministro da Defesa”, escreveu ainda.

A demissão ocorre no mesmo dia em que o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, marcou a data das eleições legislativas para 18 de abril e das presidenciais para 17 de outubro.

ZAP // Lusa

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12 COMENTÁRIOS

  1. É o Chega no seu melhor! Em tudo o que André Ventura se mete, sai manchado. E é só mais um caso a manchar o “anti sistema” deste partido… É bom para os colecionadores de casos insólitos.

  2. Ponto prévio: não sou do Chega, não sou simpatizante da ideologia e da Doutrina do partido (sem prejuízo de entender que pode ser oportuno para temperar o poder dos partidos de esquerda), nem nutro especial simpatia pelo André Ventura, excepção feita ao benfiquismo que partilhamos. Dito isto:
    Não compreendo a sanha persecutória em relação ao Chega. Ao que Chega tal perseguição a ponto de se fazerem reportagens que fazem cair Ministros em países terceiros, de que habitualmente nos rimos mas que bem podem ser um farol e exemplo para os nossos governantes (aqueles ministros que não obstante as trapalhadas em que estão envolvidos teimam em não se demitir).
    Será que o Chega incomoda tanto os poderes instituídos que é preciso bater permanentemente no ceguinho? Estão assim tão amedrontados que se descubram as maroscas e mafiosisses?
    Não há notícias cá?
    Já acabaram o assunto das falsas declarações da Senhora Ministra da Justiça?
    Estão preocupados com o Chega? E com uma magistrada do MP mandar seguir e vigiar jornalistas?
    E com os cidadãos estrangeiros que são espancados nas instalações do SEF?

      • Caro Senhor, conhcemo-nos? Creio que não. Nesse caso faça o favor de se me dirigir com a mesma correção. Respeitinho é muito bonito e eu gosto.
        Uma pergunta: o Senhor é daqueles democratas que o são muito ferverosamente enquanto concordam consigo. Depois, ou destrata as pessoas, ou apoda-as de fascistas, certo?
        Será que os venezuelanos, norte coreanos e angolanos também estão a ‘nanar’? Em coma estão seguramente….

    • Comentário esclarecido.
      O problema é haver uma campanha de desinformação bem montada que impede outros de verem o mesmo.
      A democracia tem destas coisas: para uns apenas é boa quando se ganha e quando se perde ou se sente uma ameaça implementam-se logo técnicas de estados totalitários e ditatoriais.

      • Nem mais: a democracia de acordo com a doutrina dominante só o é dentro de um dado espectro estabelecido por um conjunto de pseudo democratas, pretensos mártires vda ditadura que à conta da sua “luta” se foram governando. Curiosamente, nesse espectro inclui-se a extrema esquerda.
        E depois é bom lembrar quem são e de onde vêm esses “democratas”… Podemos começar pelo actual presidente da república….

    • Amigo Sykander, está completamente certo e há que fazer reportagens sobre André ventura para esquecer outras coisas importantes como mencionou, eu estava tentado a votar nele ma admito que mudei um pouco depois da reportagem mas,,, gosto de muita coisa que ele diz e é verdade tenho pena que ele se esteja a levar por companhias estranhas que deixam suspeitas, de resto ele pensa como eu não sou politicamente correcto, para terminar também sou benfiquista mas não troco as coisas como também não sou de partidos, já agora porque é que ninguém se preocupa com o comunismo queria ver se ganhassem, iamos para o tempo da pedra.

      • Caro Piranha: quilo que escrevi não deve ser entendido como um apelo ao voto no André Ventura. Revejo-me em algumas das suas ideias? Sem dúvida! Exemplos: prisão perpétua em certos crimes ou para os delinquentes por tendência, redução de deputados, exigir serviços a favor da comunidade por conta dos RSI e fiscalizar melhor os abusos nesses subsídios, diminuir o peso do Estado na economia (mas, nada de radicalismos como defende o IL), mais segurança para os cidadãos cumpridores e penas mais pesadas para os delinquentes, etc..
        No entanto, é mais o que me separa do André Ventura, do que aquilo com que me identifico. Sou europeísta e acho que os nacionalismos não têm lugar no mundo actual, sou pela liberdade, defendo o SNS e alguns serviços públicos, recuso o populismo, a ofensa e a mentira como armas legítimas no discurso político. Não gosto de André Ventura. Mas também não gosto do poder que a extrema esquerda granjeou na nossa sociedade. Em suma, quanto mais não seja para temperar os excessos da extrema esquerda, André Ventura e o Chega fazem falta. Mas não quero que governe. Apenas que tenha o poder suficiente para impedir e denunciar vigarices como aquela da cunha na nomeação do procurador europeu…

  3. O problema parece não estar no Chega, mas simplesmente naqueles que teimam em crer que o mesmo partilha de ideias racistas não tendo eles a capacidade de ver que o problema tanto cá como pelo resto da Europa não está no racismo, mas sim no mau comportamento generalizado de certas etnias, raças ou credos, neste último caso que não são compatíveis com a nossa cultura, a prova está na forma como não se adaptam a nós e pior ainda na falta de respeito com que se tentam impor, refiro-me ao islamismo. Quanto mais baterem na tecla racismo recusando-se reconhecer a origem do mal e em vez de o combaterem, aí sim! Estarão a alimentá-lo.

    • Não há muito a acrescentar. Partilho da sua perspectiva. Na Austrália as coisas são mais ou menos assim: queres vir para cá? As regras são estas. Estás disponível para segui-las? Bem-vindo. Queres seguir outras regras? És livre de regressar à tua terra. Talvez os países da Europa devessem adoptar um regime idêntico…

      • Tem toda a razão, o mundo está composto por várias raças e credos, quando entramos em casa alheia é por norma respeitar os seus usos e costumes, não nos agrada ficamos de fora, não vamos impingir as nossas regras.

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