Vladimir Putin designa Mikhail Mishustin para primeiro-ministro da Rússia

premier.gov.ru / Wikimedia

Mikhail Mishustin, o novo primeiro-ministro russo

O Presidente russo designou, esta quarta-feira, para o cargo de primeiro-ministro o até agora diretor da autoridade tributária e desconhecido do grande público, na sequência da demissão de Dmitri Medvedev.

Vladimir Putin “apresentou a candidatura de Mikhail Mishustin à Duma”, a câmara baixa do Parlamento que deverá agora confirmá-la, segundo um comunicado da presidência.

Esta nomeação surge na sequência da demissão surpresa de Dmitri Medvedev, há oito anos no cargo de primeiro-ministro, que se seguiu ao discurso sobre o estado da nação no qual o Presidente russo anunciou reformas constitucionais.

Na chefia do serviço federal de impostos desde 2010, a designação de Michoustin está a ser considerada inesperada. No entanto, sempre foi considerado um eficaz alto funcionário no decurso do seu trajeto. “Pôs em prática o melhor sistema de cobrança de impostos do mundo”, afirmou a televisão estatal Rossiya-24.

Segundo a TSF, Mishustin, de 54 anos, trabalhou como informático numa organização pública, atraiu grandes empresas estrangeiras e organizou várias vezes a maior exposição anual de informática.

No final dos anos 90, entrou na administração pública como assistente dos sistemas de informação, de contabilidade e controlo de pagamentos de impostos, tornando-se chefe dos impostos do Estado. Em 2010, tornou-se Diretor-Geral dos Impostos da Federação.

De acordo com o Diário de Notícias, o nome de Mishustin deve ser aprovado na próxima semana no Parlamento russo.

O líder russo agradeceu a Medvedev pelo seu trabalho, mas considerou que o seu gabinete não conseguiu cumprir todos os objetivos. Em declarações aos media, Putin disse que Medvedev vai agora ocupar as funções de vice-presidente do Conselho de Segurança.

Putin cumpriu dois mandatos presidenciais entre 2000 e 2008, antes de ocupar o posto de primeiro-ministro durante quatro anos. Depois, Dmitri Medvedev optou por apenas cumprir um mandato presidencial de quatro anos, para dar de novo lugar ao seu mentor, em 2012.

Quando estava em funções no Kremlin, Medvedev prolongou o mandato presidencial de quatro para seis anos através de uma emenda constitucional.

Putin, que na prática continuou a dirigir o país com Medvedev na presidência, criticou por diversas vezes a sua atuação. Em particular, foi crítico face à decisão de Medvedev de autorizar os ataques aéreos ocidentais sobre a Líbia em 2011 que conduziram ao derrube de Muammar Kadhafi.

A decisão de Medvedev de abandonar o cargo de Presidente após um mandato e que permitiu a Putin regressar à Presidência originou na ocasião fortes protestos em Moscovo em 2011-2012, num sério desafio ao Kremlin.

Putin quer voltar a ser primeiro-ministro?

Observadores citados pela agência noticiosa Associated Press têm especulado que Putin poderá permanecer no poder após 2024 e ocupar de novo o posto de primeiro-ministro, após ter aumentado os poderes do Parlamento e do Executivo e reduzindo a autoridade presidencial.

Outras potenciais opções incluem uma unificação com a vizinha Bielorrússia, que permitiria a criação de uma nova função na chefia de um novo Estado, mas a perspetiva tem sido rejeitada pelo Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.

Na sua intervenção, Putin também considerou que a Constituição deve especificar a autoridade do Conselho de Estado, que inclui os governadores regionais e altos responsáveis federais.

Diversos analistas sugeriram que Putin, após sair da presidência em 2024, pode tentar continuar a controlar o país ao assumir a liderança desde Conselho.

O Presidente russo também enfatizou a necessidade de promover emendas às Constituição para lhe fornecer uma clara prioridade face à lei internacional. “As obrigações da lei internacional e dos tratados e decisões dos órgãos internacionais apenas poderão ser válidos no território da Rússia caso não restrinjam os direitos humanos e as liberdades e não contradigam a Constituição”, disse.

O líder do Kremlin frisou ainda que a Constituição deve ser alterada para que não seja permitido aos altos responsáveis governamentais a obtenção de cidadania estrangeira ou autorizações de residência.

Por fim, assegurou que a Rússia vai permanecer aberta à cooperação com todos os países, mas mantendo uma forte capacidade defensiva para enfrentar potenciais ameaças. E acrescentou que os novos sistemas de armamentos vão proteger a Rússia “durante décadas”.

“Pela primeira vez na história, não estamos a tentar ir atrás de ninguém”, sublinhou. “Pelo contrário, as outras nações que lideram ainda têm de desenvolver os armamentos que a Rússia já possui”.

ZAP // Lusa

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