“Indícios de responsabilidade penal”. Mestrado de Pablo Casado sobe ao Supremo

ZIPI / EPA

Pablo Casado sucede a Mariano Rajoy na presidência do Partido Popular espanhol

O processo do mestrado de Pablo Casado vai subir ao Supremo Tribunal, perante a existência de “indícios de responsabilidade penal”, decidiu a juíza de instrução Carmen Rodríguez-Medel. 

Carmen Rodríguez-Medel, juíza de instrução, afirma haver “indícios de responsabilidade penal”, ou seja, indícios de que o título de mestre em Direito Autonómico concedido pela  Universidade Rei Juan Carlos a Pablo Casado foi uma “prenda” do diretor do curso, Enrique Álvarez Conde.

De acordo com a magistrada, Álvarez Conde teria como hábito presentear alunos em cargos políticos relevantes ou que “mantinham vínculos estreitos de amizade ou de carácter profissional com o catedrático”, ainda que não tivessem mérito académico, avança o jornal Público esta terça-feira.

Desta forma, Casado deve agora ser julgado pelos crimes de suborno, por ter recebido a suposta “prenda” enquanto deputado, e o de fraude administrativa, pela obtenção ilícita de um título académico, considera Rodríguez-Medel.

Além disso, a juíza considera que o atual líder do Partido Popular espanhol (PP) teve uma participação “ativa” no processo, havendo grau de culpabilidade. As condições para a obtenção do diploma terão sido acordadas entre Álvarez Conde e Casado, aponta.

Pablo Casado terá feito 18 das 22 cadeiras do curso através do reconhecimento de equivalências. As restantes terão sido feitas com a entrega de trabalhos que a própria universidade chegou a afirmar que não conseguia localizar, trabalhos esses que o líder partidário nunca mostrou publicamente.

Em suma, se tudo isto for somado, Casado terá concluído o seu mestrado escrevendo pouco mais de 90 páginas, avaliadas pelo próprio Álvarez Conde. O político passou com distinção a todas as cadeiras e foi, segundo o Público, dispensado de escrever a apresentar a sua tese de mestrado.

O tribunal no qual o caso estava a ser investigado disse que não poderia analisá-lo devido às leis de imunidade para membros do Parlamento, tendo o assunto passado para o Supremo Tribunal, que vai decidir como o caso deve prosseguir.

Mas, apesar de a magistrada do tribunal de primeira instância ter dito que havia sinais de suborno na obtenção de diplomas a várias pessoas, incluindo Pablo Casado, o político rejeitou essa conclusão. “Em nenhuma circunstância aceitei um presente ou solicitei algo que não foi dado a nenhum outro aluno”, afirmou o líder do PP.

Além disso, esta segunda-feira, Pablo Casado recusou demitir-se da liderança dos populares, sustentando que o caso é “irrelevante em termos políticos”.

O sucessor de Mariano Rajoy sublinha agora que nunca apresentou o título agora posto em causa e que os trabalhos apresentados na Universidade era, na verdade, parte de um curso de doutoramento que nunca chegou a concluir. “Não é um mestrado. Não tenho esse título. Tenho esse trabalho, mas não é um mestrado“, disse.

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, recursou comentar o processo judicial, mas afirmou que Casado “tem de fazer uma avaliação e dar explicações aos espanhóis”.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. a direita e os seus relvas. isto foi para adquirir um titulo o que não terá feito para ganhar o partido e como já é apanágio das direitas d’empurrão, trauliteiras e bacocas não se demite porque isto é “irrelevante em termos políticos”, já o seu antecessor tinha um cadastro de trafulhices e roubos enorme mas só se demitiu quando já não havia hipótese alguma de se safar mas à mais pequena pentelhice aí estão eles a pedir a demissão sejam de quem for. que nojo de gente.

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