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Merkel critica Twitter por suspender permanentemente a conta de Trump. É “problemático”

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Daniel Kopatsch / EPA

A chanceler alemã Angela Merkel

Esta segunda-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, criticou o Twitter por ter banido o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da plataforma. Para a governante, trata-se de uma violação “problemática” do “direito fundamental à liberdade de expressão”.

Para Angela Merkel, o poder de restringir o discurso das pessoas não deve pertencer ao Twitter, mas sim aos países, que devem definir o que constitui discurso de ódio online.

Segundo o Financial Times, a chanceler alemã criticou, esta segunda-feira, a decisão da rede social banir o ainda Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através de uma mensagem divulgada pelo porta-voz Steffen Seibert.

“O direito à liberdade de opinião tem uma importância fundamental. Com isso em mente, a chanceler considera que é problemático que a conta do Presidente tenha sido permanentemente suspensa”, justificou Seibert, citada pela Reuters.

Bruno le Maire, ministro francês das Finanças, concorda com a chanceler. “A regulação digital não devia ser feita pela própria oligarquia digital”, explicou o governante em declarações à rádio France Inter, atribuindo a responsabilidade pela regulação da “arena digital” aos governos.

Twitter suspende 70 mil contas pró-Trump

Esta segunda-feira, o Twitter anunciou que suspendeu “de forma permanente” 70 mil contas ligadas ao movimento conspiracionista QAnon, composto por muitos apoiantes do Presidente cessante, para impedir atos violentos, como a invasão do Capitólio.

A rede social iniciou na sexta-feira uma purga de contas consideradas perigosas, com o bloqueio definitivo da conta de Donald Trump, acusado de incitar os seus apoiantes a perturbar uma sessão conjunta do Congresso para certificar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Considerado de extrema-direita, o movimento QAnon alimenta um conjunto de teorias da conspiração, incluindo a de que Trump combate secretamente uma seita mundial composta por pedófilos satânicos. “Estas contas partilhavam conteúdos perigosos, associados [ao movimento] QAnon, em grande escala”, sendo “essencialmente consagrados à propagação de teorias da conspiração”, explicou o Twitter em comunicado.

O número de contas é elevado, já que muitos indivíduos tinham várias em seu nome.

A maioria das plataformas e redes sociais adotaram medidas sem precedentes depois de membros de grupos radicais e de extrema-direita terem invadido o edifício do parlamento dos Estados Unidos (Capitólio), na quarta-feira, instigados por Donald Trump.

Além do Twitter, também a plataforma digital Facebook e serviços como o Snapchat ou Twitch suspenderam o perfil do chefe de Estado norte-americano por um período indeterminado, alegando risco de violência durante a cerimónia de tomada de posse de Joe Biden, em 20 de janeiro.

  Liliana Malainho // Lusa

1 Comment

  1. Concordo em absoluto com a chanceler Merkel, não pode existir restriçôes à liberdade de expressão, Trump é tolo e tem atitudes ridículas e desproporcionadas, o seu comportamento errado deve ser repudiado e rejeitado, mas não pode ser impedido de se exprimir isso é anti-democrático. Outros mecanismos institucionais podem e devem funcionar para que políticos como Trump vejam a sua ação condenada, mas censura de expressão e comunicação não é o caminho a meu ver.

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