/

“Máfia do marisco” controla mercado ilegal do pepino-do-mar. A iguaria também existe em Portugal

O pepino-do-mar é altamente procurado na China e no sudeste asiático. A chamada “máfia do marisco” controla o mercado ilegal desta iguaria, que também existe em Portugal.

O pepino-do-mar é uma iguaria da cozinha asiática que contém anti-inflamatórios e, na medicina tradicional chinesa, é usado para tratar uma série de problemas de saúde, como a redução da dor articular.

Em Portugal, podemos encontrá-lo em vários locais, como na ria Formosa, no Algarve. Mas na cadeia de ilhas de calcário entre a Índia e o Sri Lanka é bem mais comum: a baía de Bengala e o golfo de Manar, nas proximidades, têm sido terreno fértil para o mercado ilegal de pepino-do-mar.

O número de incidentes criminais na Índia e no Sri Lanka envolvendo pepinos-do-mar aumentou de cerca de oito em 2015 para nada menos do que 58 em 2020, escreve o portal Big Think.

A única semelhança entre um pepino-do-mar e o típico vegetal a que estamos habituados é o nome. Não só o pepino-do-mar é um animal, como é bem mais caro do que o pepino dos supermercados. Um quilograma desta iguaria pode custar centenas, senão milhares de dólares.

As pequenas criaturas têm um grande papel nos oceanos. Não só reciclam resíduos em nutrientes, como libertam ingredientes essenciais (no valor de cinco Torres Eiffel por recife por ano) para os recifes de coral e ajudam a desacelerar a acidificação dos oceanos.

No entanto, os pepinos-do-mar são mais conhecidos na China e no sudeste asiático por serem uma iguaria. Podem ser comidos secos, fritos, em conserva ou crus; como acompanhamento de repolho chinês ou cogumelos shiitake; temperados e misturados com carne ou outro tipo de marisco; ou usados em sopas, ensopados e salteados.

O valor de pepino-do-mar tem crescido a olhos vistos: se nos anos 80, um quilo custava cerca de 70 dólares, agora pode chegar até 3.500 dólares, dependendo da espécie. Desde então, as populações globais das espécies mais caras caíram até 60%.

À medida que os pepinos-do-mar ficam mais raros, tornam-se mais valiosos, o que incentiva mais a pesca ilegal.

Nas águas da Índia e do Sri Lanka a situação é complicada. Em 2001, a Índia proibiu o comércio e a exportação de pepinos-do-mar. Por sua vez, no Sri Lanka, a pesca de pepinos-do-mar permanece legal, embora esteja sujeita a licenças para tentar evitar a exploração excessiva.

Ter um mercado legal para pepinos-do-mar ao lado de um mercado ilegal oferece à “máfia do marisco” duas alternativas lucrativas, escreve o Big Think. Não só podem contrabandear a iguaria do Sri Lanka para a Índia, como podem também pescar na Índia, fazendo de conta que foram apanhados no Sri Lanka.

Para evitar situações como estas foi criada uma task force especial, que já apreendeu quase uma tonelada de pepino-do-mar pescado ilegalmente, avaliada em mais de 850 mil dólares.

  Daniel Costa, ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.