Menos beijos e menos abraços. O conselho da Directora-Geral de Saúde na “guerra” contra o coronavírus

António Cotrim / Lusa

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

“Não nos beijarmos tanto, não nos abraçarmos tanto.” Eis os conselhos da Directora-Geral de Saúde, Graça Freitas, para um cenário de eventual epidemia com o novo coronavírus, o COVID-19. Além de “socializarmos menos”, a responsável diz que “lavar as mãos é importantíssimo” também para “retardar a propagação”.

Neste momento, ainda não há razão para alarmes, considera a Directora-Geral de Saúde (DGS), Graça Freitas, em entrevista à TSF, realçando que o novo coronavírus é, para já, uma “grande incógnita” porque ainda “não sabemos como é que se vai propagar na natureza, como é que vai ser a sua dinâmica e como é que ele se vai transmitir entre os seres humanos”.

Enquanto nos aguarda “o desconhecido”, “temos de nos preparar à partida para um cenário pior… e esperar ter um cenário melhor”, considera Graça Freitas.

E enquanto não criarmos “mecanismos de protecção, de imunidade contra estes agentes”, devemos ter cuidados básicos com “medidas de controlo de infecção”, para “retardar a sua propagação e evitar que num curto espaço de tempo existam muitas pessoas doentes””, salienta a DGS.

“Se nós lavarmos as mãos frequentemente, não estamos a propagar vírus”, aconselha, frisando que com esse gesto simples “não se impede totalmente a infecção, mas retarda-se a infecção, ou seja, diminui-se o número de pessoas infectadas num determinado momento, e a quantidade de vírus que passa de uma pessoa para a outra”. “Esta história da quantidade de vírus também é muito importante, pode fazer a diferença na gravidade da doença”, constata.

As declarações vêm ao encontro de um estudo recente que concluiu que o simples acto de lavar as mãos nos aeroportos pode ajudar a travar epidemias virais.

“Não espirrar para cima de ninguém quando se está doente, não tossir para cima de ninguém, o distanciamento social” são outras medidas recomendadas por Graça Freitas. “Agora continuamos a beijar-nos como sempre, mas nas alturas das epidemias convém socializarmos um bocadinho menos, termos alguma distância social, não nos beijarmos tanto, não nos abraçarmos tanto”, conclui.

A DGS fala de uma potencial epidemia global como “uma espécie de uma guerra”, considerando que, por um lado, é preciso avaliar “as características do vírus, a sua virulência, a sua capacidade de invadir o nosso sistema respiratório, de ficar só ao nível das vias respiratórias superiores ou descer até às vias respiratórias inferiores, como é que ele se movimenta dentro do nosso organismo, a sua capacidade de se replicar dentro das células”. Por outro lado, “há as características do hospedeiro, das pessoas”, uma vez que “quanto menos imunidade esse hospedeiro tiver para aquele vírus, mais susceptível ou mais vulnerável está à invasão”, destaca ainda Graça Freitas.

Nesta “guerra”, é preciso ainda considerar “características” como “a idade” e as “nossas doenças de base” que “podem influenciar a nossa vulnerabilidade”. “O próprio envelhecimento dá uma depressão do sistema imunitário, uma pessoa idosa não tem um sistema imunitário tão competente como uma pessoa nova, por exemplo”, aponta ainda a DGS.

As declarações de Graça Freitas surgem numa altura em que há uma polémica com a denúncia de que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) entregou equipamentos danificados às equipas responsáveis pelo transporte de doentes suspeitos de coronavírus, algo que a entidade já negou.

Até ao momento, Portugal ainda não registou nenhum caso de infecção com o novo coronavírus. Os casos suspeitos deram todos negativos, faltando ainda conhecer os resultados relativos a uma pessoa que está internada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, e a outra que foi encaminhada para o Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Não considero adequado quando se tece comentários sobre a vida emocional tendo por base este “crise fabricada”. Só em Portugal morrem por ano mais de 2.000 pessoas por gripe. O “Corona” fica mais forte e popular só de se falar nele. Há que ter cuidado? Claro que sim. Há que criar paranoia e levar a população, ou pelo menos alguma dela a ficar histérica? Claro que sim, desta forma não olham para o que é importante. menos beijos e menos abraços? Errado. Mais beijos e mais abraços fazem com que o verdadeiro vírus da “ignorância e do lambe-sistema” se debilite. mas é só uma opinião subjectiva…

  2. Em termos de prevenção em época de picos virais, já é o que se pratica, pelo menos por pessoas conscientes. Mas quem vai ficar mais frustrado vai ser o nosso Presidente dos afectos !

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