Menina violada e assassinada causa revolta e polémica religiosa na Índia

Jaipal Singh / EPA

Asifa Bano, uma menina indiana de 8 anos, foi brutalmente violada e assassinada

A investigação ao brutal assassinato de uma menina de oito anos, vítima de violação e tortura no estado indiano de Jammu e Caxemira, dividiu a população e expôs a cisão religiosa na região.

Asifa Bano desapareceu na tarde de 10 de janeiro. A menina de oito anos, que vivia com a família numa aldeia a cerca de 70 quilómetros da cidade de Jammu, estava encarregue de ir à floresta buscar os cavalos da família. Os animais voltaram para casa, mas Asifa não.

Os pais, Naseema Bibi e Muhammad Yusuf Pujwala, contaram com a ajuda dos vizinhos para começar a procurar a criança, mas sem sucesso. Dois dias depois, reportaram o desaparecimento às autoridades.

O corpo da menina foi localizado cinco dias depois numa mata. “Foi torturada, tinha as pernas partidas. As unhas estavam pretas e tinha marcas azuis e vermelhas nos braços e nos dedos”, conta emocionada a progenitora, citada pela BBC.

Mehbooba Mufti, ministra chefe do estado de Jammu e Caxemira, ordenou que a investigação ao assassinato da criança fosse conduzida por uma unidade especial. As autoridades prenderam oito pessoas, entre elas quatro polícias, um funcionário do governo reformado e dois adolescentes (o sobrinho e um amigo).

O homem reformado, de 60 anos, terá planeado o crime. De acordo com o relatório policial, Asifa foi sedada e fechada num templo local durante vários dias, tendo sido “violada, torturada e, finalmente, assassinada”. A menor foi estrangulada e a sua cabeça foi esmagada com uma pedra.

Os investigadores acreditam que os polícias detidos participaram nas primeiras buscas e não só terão eliminado manchas de sangue como sujaram as peças de roupa encontradas com lama antes de mandá-las para a perícia.

Conflito religioso

Ainda segundo as investigações, os suspeitos queriam aterrorizar a comunidade gujjar e forçá-los a deixar Jammu. A menina e os pais são membros da tribo bakarwal que, juntamente com os gujjar, vivem como pastores nómadas e têm o hábito de usar áreas públicas como áreas de pasto, o que tem causado conflitos com os moradores hindus.

O crime está a chocar o país e expõe a cisão entre hindus e muçulmanos no território que há décadas é disputado pela Índia e pelo Paquistão.

Apesar de ser controlado pela Índia, Jammu e Caxemira é um estado que junta três territórios (Jammu, Caxemira e Ladhak). Jammu é de maioria hindu e Caxemira tem população maioritariamente muçulmana, sendo constantemente palco de revoltas contra o regime indiano. Já em Ladhak a população e a cultura estão mais ligadas ao Tibete.

As detenções, entretanto, provocaram protestos em Jammu, com advogados a tentarem impedir que as autoridades entrassem em tribunal para apresentar as acusações contra os detidos e dois ministros de um partido nacionalista hindu, o Bharatiya Janata (BJP), participaram nas manifestações em defesa dos suspeitos.

“Eles estão a usurpar as nossas florestas e os nossos recursos hídricos”, disse Ankur Sharma, um dos advogados que protestou, em declarações à emissora britânica.

Além disso, no momento do funeral da menina, que iria ser enterrada num cemitério situado num terreno comprado há alguns anos pelos gujjars, família e amigos foram cercados e ameaçados por ativistas hindus“.

Para além do crescimento da tensão religiosa e do nacionalismo com a entrada de Narendra Modi no poder, há muito que a Índia é confrontada com inúmeros casos de violações e assassinatos de mulheres.

ZAP // BBC

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