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Centeno diz que medidas de apoio devem ser adaptadas à crise (e deixa alerta sobre as moratórias)

Stephanie Lecocq / EPA

O governador do Banco de Portugal (BdP) considera que as medidas adotadas para combater os efeitos da pandemia devem, no próximo ano, ser adaptadas à evolução da crise, servindo para preparar a recuperação económica.

“O grau de implementação das medidas em Portugal foi muito elevado. Os apoios ao rendimento, como o lay-off simplificado, e os apoios à liquidez, como as moratórias, pelo seu impacto e eficácia, devem ser mantidos ao longo do ano, mas devem ser adaptados à evolução da crise económica”, considerou Mário Centeno, num artigo de opinião que assina esta terça-feira na edição do Diário de Notícias.

O antigo ministro das Finanças faz também um alerta sobre as moratórias, recordando que estes mecanismos “não são um perdão de crédito”.

“As famílias e as empresas devem retomar o reembolso dos créditos, mas de forma gradual e efetiva, permitindo um retorno à normalidade sem sobressaltos. (…) Não se trata de um acumular de dívida, mas sim de um adiamento do pagamento, acomodando esse momento ao retorno da atividade a níveis mais próximos do período anterior à crise”, continua, acrescentando que esta regra se aplica também aos Estados que têm aumentado os níveis de endividamento para combater os efeitos da crise causada pela covid-19.

“Na verdade, o mesmo se espera que venha a acontecer com as Regras Orçamentais na Europa e com a política monetária do Eurossistema”, pode ler-se.

No mesmo artigo de opinião esta terça-feira publicado, Mário Centeno considera que “as condições de acesso ao crédito devem ser favoráveis”, mas alerta que “não se deve incentivar empréstimos sem sustentabilidade económica”.

“Ao contrário das crises anteriores, a política monetária e orçamental adotadas pelos Estados membros e na Europa estão a funcionar em conjunto e evitaram uma queda catastrófica prolongada (…) Nos próximos meses, a política monetária continuará a apoiar todos os setores da economia e garantir que o crédito flui pela economia. Pelo seu lado, as autoridades orçamentais devem evitar os impactos negativos associados ao término abrupto de algumas medidas”, escreve.

  Sara Silva Alves, ZAP //

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