/

Covid-19. Médicos de família às escuras sobre vacinação em centros de saúde

O vice-almirante Gouveia e Melo afirmou que os centros de vacinação seriam desativados quando Portugal atingisse a meta de 85% da população completamente vacinada contra a covid-19. No entanto, o processo de vacinação continua a decorrer nos centros de vacinação.

Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), disse ao Expresso que “o processo de vacinação pandémica continua a ocorrer nos centros de vacinação”. “A transição para os centros de saúde irá ser feita de forma gradual” e as unidades “aguardam ainda instruções sobre como é que tal se vai processar”.

Isto significa que, neste momento, estas estruturas ainda desconhecem “como vão ser feitas as convocatórias, os agendamentos, se são os utentes que contactam ou se devem aguardar ser chamados, ou se vai haver algum tipo de agendamento central”.

A preocupação não é tanto se a vacinação arranca a diferentes ritmos, mas “perceber qual a carga que vai representar para os centros de saúde“, uma vez que “as realidades são díspares nas várias regiões do país”.

Além disso, é preciso saber “como vão ser conferidas as listas, onde é que essas listagens vão estar, como vão ser validadas e quem são efetivamente os utentes que estão agendados”, acrescentou o responsável. “Falta também saber como vão ser priorizados os utentes, se será pelo critério da idade ou não.”

“Estamos num compasso de espera para perceber qual será o nosso papel”, disse o responsável, acrescentando que “nunca é bom receber informação na véspera para rapidamente reorganizar circuitos, atividades e horários”.

“Depois não podem pedir que sejam feitas mudanças em cima da hora, como já aconteceu várias vezes, assim como não podem esperar que os Centros de Saúde mantenham a sua atividade normal”, alertou, apontando para o problema de “falta de recursos humanos crónica, que só foi acentuada com a pandemia, com escassez de médicos, enfermeiros e assistentes técnicos”.

È também preciso ter em consideração que os “profissionais estão cansados, o que obviamente tem impacto na prestação de cuidados”.

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE