May consegue adiar a sua queda, mas não tira o Brexit da corda bamba

Will Oliver / EPA

Theresa May, primeira-ministra britânica

Mais de treze horas de incerteza em que o coração de Theresa May voltou a bater depressa demais. A primeira-ministra sobreviveu à moção de censura, mas tem pela frente mais um osso duro de roer: o acordo para o Brexit continua por aprovar e o Parlamento britânico promete não facilitar a tarefa.

Foi mais um dia em que a Europa viu o Reino Unido ligado às máquinas. Esta quarta-feira, o país tremeu, mas no final do dia era Theresa May quem respirava de alívio: sobreviver à moção de censura do seu próprio partido fez com que a primeira-ministra britânica conquistasse um salvo-conduto de 12 meses para continuar à frente do Partido Conservador e, consequentemente, do Governo britânico.

A margem foi suficientemente grande, obtendo 200 votos de confiança acima dos 159 necessários para continuar como líder. No entanto, este número dificilmente lhe garante luz verde para fazer aprovar no Parlamento o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia.

O final vitorioso de May nesta quarta-feira não foi extraordinário, mas confirmou os sinais que foram dados ao longo do dia pelas mais de 180 manifestações públicas de apoio protagonizadas por deputados tories.

A primeira-ministra britânica precisava de, pelo menos, 159 votos para evitar uma eventual disputa pela liderança do partido, algo que acabou por não acontecer, dado que conseguiu 200 votos (67%) contra os 117 que a tentaram pôr com um pé de fora. Com os dois pés dentro do partido, May resistiu a mais um abalo em Downing Street.

Poucos depois de conhecidos os resultados, May disse aos jornalistas, citada pelo Público, que “depois desta votação devemos prosseguir com o nosso trabalho para ofereceremos o Brexit aos britânicos e construirmos um futuro melhor para este país”.

Consciente da oposição “considerável” dentro do seu próprio partido, May diz-se “grata pelo apoio”. Ainda antes da votação final que aconteceu no final da tarde desta quarta-feira, acenou aos deputados e prometeu que não irá concorrer às próximas eleições, agendadas para 2022.

Este é o estender da mão de May aos parlamentares conservadores, que ficaram satisfeitos com o gesto apaziguador. Aliás, talvez tenha sido uma garantia decisiva para o resultado da votação, juntamente com a ameaça de se ter de estender a aplicação do artigo 50.º do Tratado da UE e adiar a data de saída (29 de Março do próximo ano).

Sobreviveu, mas ainda não pode respirar de alívio. A qualquer momento Theresa May pode ser surpreendida por uma nova ameaça do partido, servindo de bandeja uma moção de censura ao Governo. Ainda assim, tudo indica que o Partido Trabalhista não o fará antes da votação do acordo do Brexit.

Para Corby, “não muda nada”

O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, defendeu esta quarta-feira que a vitória da primeira-ministra na moção de censura do Partido Conservador “não muda nada”.

A dirigente dos Tories venceu uma moção de censura interna, convocada por deputados conservadores descontentes com o acordo do Brexit por ela negociado com Bruxelas para a afastar da liderança do partido.

No Twitter, Corbyn escreveu que, “agora, ela terá na mesma de submeter o seu acordo atamancado à aprovação do parlamento na próxima semana”.

“Theresa May perdeu a maioria no parlamento, o seu Governo está um caos e ela não consegue apresentar um acordo de Brexit que funcione para o país e ponha o emprego e a economia em primeiro lugar”, continuou o líder da oposição.

O desafio que May tem agora pela frente passa pela aprovação do documento, cujo voto previsto para terça-feira foi adiado na véspera perante a perspetiva de rejeição e com a promessa de conseguir dos líderes europeus “garantias adicionais” sobre a condição provisória da solução backstop para a fronteira da Irlanda do Norte.

Se o texto for aprovado, segue-se uma saída ordeira da União Europeia. Contudo, se for chumbado, o Governo terá 21 dias para indicar o que pretende fazer e poderá ter de avaliar algumas alternativas, como o modelo da Noruega, que tem acesso ao mercado único sem ser membro da UE – uma solução que poderia ter o apoio da maioria dos deputados.

Não foi desta que se deu a queda de Theresa May. Quanto ao Brexit, mantém-se (novamente) tudo em aberto.

LM, ZAP // Lusa

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