/

Francesa que matou marido (e ex-padrasto) após anos de abusos não vai para a prisão

8

Jeff Pachoud / AFP

Valerie Bacot à saída do tribunal

Valérie Bacot, a francesa que matou o marido em 2016 após anos de consecutivos maus tratos, não vai cumprir pena de prisão.

Valérie Bacot, que matou o marido (que tinha começado por ser seu padrasto) após 24 anos de abusos, foi condenada a quatro anos de prisão, com três de pena suspensa. Mas, como já cumpriu um ano de prisão preventiva, sairá em liberdade.

O júri do julgamento da farncesa, violada desde os 12 anos por Daniel Polette, acabou por seguir o pedido de clemência do procurador-geral e considerar que a acusada era “uma vítima, muito claramente”.

A leitura da sentença desatou aplausos na sala, com alguns dos mais próximos da acusada a não conterem as lágrimas, escreve o jornal Público. A presidente do júri, Céline Therme, sublinhou que os jurados tiveram em conta “o terror” em que Valérie viveu durante quase um quarto de século e que o crime derivava dos “múltiplos traumatismos da sua infância”.

“Quero agradecer ao tribunal e todo o apoio que recebi de toda a gente. É um novo combate agora por todas as outras mulheres e todos os tipos de maus tratos. Não me sinto aliviada, sinto-me vazia psicologicamente e fisicamente“, disse Valérie Bacot aos jornalistas, na sexta-feira à noite, à saída do tribunal.

Além de acompanhamento psicológico obrigatório, durante os próximos quatro anos, esta mulher está num regime probatório e proibida de utilizar armas de fogo.

Valérie Bacot vivia num “inferno”

A 13 de março de 2016, Valérie Bacot matou Daniel Polette com um tiro na nuca, pondo fim a mais de 24 anos de abusos e de violência.

No julgamento, que decorreu na cidade de Chalon-sur-Saône, no leste de França, Valérie contou que começou a ser violada pelo então padrasto, Daniel Collete, aos 12 anos. O homem viria a ser condenado por agressão sexual de menores, mas cumprida a pena regressou a casa, onde recomeçou os abusos.

A jovem acabaria por engravidar aos 17 anos e, depois de a mãe a pôr fora de casa, foi viver com o agressor. “Não tinha ninguém. Onde é que eu podia ir?”, diz, num livro que escreveu sobre a sua vida.

Bacot e Collete, que tinha mais 25 anos que Bacot, casaram-se e tiveram quatro filhos. Vítima de constantes agressões, a viver num “inferno”, como afirmou em tribunal, foi obrigada a prostituir-se nas traseiras de uma carrinha que o marido preparou expressamente para isso.

E, de acordo com o Diário de Notícias, foi ali que tudo acabou. Depois de escutar uma conversa entre o marido e a filha de ambos, de 14 anos, em que ele estava a fazer-lhe perguntas sobre a sua sexualidade, Bacot medo de que a prostituísse, como fazia com ela, e decidiu pôr um fim ao sofrimento.

Depois de dar um tiro na nuca do marido, com uma arma que este escondia no veículo, Valérie escondeu o corpo com a ajuda de dois filhos, mas acabaria por ser detida e confessar o assassinato.

  Sofia Teixeira Santos, ZAP // Lusa

8 Comments

  1. O crime foi premeditado, não foi num momento de legítima defesa contra um ataque. Foi premeditado e à traição sem hipótese de defesa para o “agressor”. Como é que isto dá apenas um ano de prisão, é que eu não compreendo. Isto no meu entender é um grave incentivo às pessoas acharem que é na boa fazer justiça com as próprias mãos.

    Se tivesse sido um homem a matar a mulher que lhe fazia a vida num inferno (e se elas são peritas em massacre psicológico), eu queria ver se já cá estava fora. Mas como é gaja, leva o selo metoo e está tudo bem.

      • Ataque?? Traição? A rapariga foi violada desde os 12 anos!!! O homem já tinha sido preso e voltou a fazer o mesmo!
        Isto há com cada comentário que não lembra ao diabo… Seja violado durante anos a fio e depois venha escrever sobre massacres psicológicos ..

    • Se fosse um homem o juiz teria invocado aquelas leis arcaicas da bíblia e ficaria fora da prisão sem pena alguma a cumprir. Se as mulheres portuguesas tivessem começado a matar namorados e maridos, como os homens fazem agora, se calhar os tais homens pensariam 2 vezes antes de praticar violência doméstica. Os únicos homens que bati foram os meus filhos tal e qual como o meu pai me deu umas palmadas. Comigo um homem poderia dar-me porrada e eu ter de ir ao hospital mas num 2ª tentativa eu colocaria o tal homem na morgue Nada justifica a violência mas os homens tem a mania da posse e para tal existe resposta.

  2. As coisas não são só preto e branco. Há atenuantes e um pedido de clemência. Cegos são aqueles que não querem ver.

  3. Inacreditável os comentários infelizes dos indivíduos do sexo masculino! Temos é que tentar fazer pressão para que as penas de violadores sejam muito mais pesadas e ao mesmo tempo encontrar soluções de vida para as vítimas. Se sofrem pressão psicológica das mulheres separem-se!

    • Os indivíduos devem ser aqueles que gostam de chegar bêbados a casa e dar porrada na mulher, e se os filhos se meterem, também levam por tabela . São uns coitados que nem uma batata sem cozer, gostava de os ver passar a ferro , limpar a casa, cozinhar, ao fim de um dia de trabalho. Para mim só servem para termos filhos, isso , infelizmente, ainda não fazemos sozinhas. Pensam com a cabeça de baixo não a de cima.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE