Vem aí novo Estado de Emergência limitado. Marcelo fala de culpa e do não-milagre português

Tiago Petinga / Lusa

Esta segunda-feira, em entrevista à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa assumiu os erros na gestão da segunda onda da pandemia e disse que o novo estado de emergência vai ser diferente do primeiro.

No dia em que reuniu com o primeiro-ministro e os partidos, Marcelo Rebelo de Sousa deu uma entrevista à RTP na qual admitiu estar a ser ponderado um novo Estado de Emergência “diferente no sentido de muito limitado, de efeitos sobretudo preventivos e não muito extenso”.

Esta é também “a inclinação” do Governo e dos partidos que ouviu durante esta segunda-feira. “Vamos ver se é a inclinação dos parceiros económicos e sociais, mas é a inclinação do próprio Governo”, afirmou, distinguindo o país de hoje de o país de há oito meses.

O Presidente não disse, no entanto, quando é que deverá decretar esse novo estado de emergência, nem quanto tempo deverá durar.

A economia não está bem, a economia conheceu sinais de recuperação, mas encontra-se numa situação que todos sabemos que é de quebra da riqueza nacional criada em relação a janeiro, fevereiro”, justificou.

O chefe de Estado acrescentou que “hoje há mais equipamento, camas e cooperação entre serviços do que há oito meses, quando a pandemia chegou a Portugal, assim como também se conhece melhor este inimigo comum”. Além disso, “a sociedade está fatigada, está laça” quando colocada ao lado daquela que aderiu voluntariamente a um confinamento quase total no início do ano.

Os partidos que defendem um Estado de Emergência limitado formam “uma maioria que está nos dois terços ou acima dos dois terços”. “Se isto não é uma maioria clara – uma maioria de revisão constitucional – não sei o que é uma maioria clara.”

Durante a entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa esclareceu que o Estado de Emergência está a ser ponderado para albergar quatro situações: impor limites à circulação, nomeadamente no que diz respeito ao recolher obrigatório; ampliar o rastreio com a inclusão das Forças Armadas, privados, entre outros, de forma a identificar cadeias de transmissão; resolver o problema jurídico suscitado pela medição de temperatura no acesso a espetáculos ou serviços públicos; e para criar condições acrescidas para utilização de meios do setor privado e do setor social e cooperativo.

O não-milagre português e os erros cometidos

Na mesma entrevista, Marcelo Rebelo de Sousa começou por explicar que não há milagre nenhum quando se fala em “milagre português”: se algo correu bem no início foi porque os portugueses se disciplinaram muito, mas isso não volta mais.

O Presidente sublinhou que é o maior responsável pelos erros cometidos durante a pandemia e criticou a estratégia de comunicação que tem sido seguida, em particular as conferências de imprensa da Direção-Geral da Saúde.

Marcelo apontou o facto de o Governo e as autoridades de saúde terem achado que havia tempo para preparar a segunda vaga, que viria no inverno. “Andaram distraídos com as 19 freguesias de Lisboa” e quando menos se esperava a segunda vaga chegou, disse.

Falta de planeamento e atrasos são os principais erros apontados pelo chefe de Estado que, embora estivesse a apontar o dedo a quem executa as medidas, chamou a si parte da culpa. “Houve erros e eu sou o maior responsável por eles. O Presidente da República é o maior responsável pelos erros.”

“Eu estou a assumir a responsabilidade suprema por tudo isto”, sublinhou.

A comunicação foi outro erro apontado por Marcelo, que admitiu que a forma como foram sendo comunicadas as regras sanitárias faz “muita confusão para quem ouve”. Por outro lado, referiu que as conferências da DGS já “cansam”, apesar do “enorme esforço” e “mérito” de quem as faz.

“É preciso ir reinventando a forma de comunicação, que é dificílimo.”

Três crises e a tempestade (im)perfeita

Durante a entrevista concedida à RTP, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre o risco de uma crise política. “Temos uma pandemia que está a conhecer um agravamento, temos uma situação económica e social que só se agravará em função da duração da pandemia, vamos juntar uma crise política a isto?”, questionou.

Convinha que não se juntassem três crises. Três crises tornam a capacidade do Governo de responder à pandemia pior, a capacidade de responder à crise económica e social pior”, acrescentou.

“Dirão os opositores: ótimo, é da maneira que [o Governo] cai mais rapidamente. Mas não cai. Não cai porque o Presidente não tem o poder de dissolução do Parlamento nos últimos seis meses do seu mandato até à eleição do novo Presidente, porque há presidência da UE a seguir, e porque não é indiferente governar com duodécimos de 2020 ou com o dinheiro de 2021″, sublinhou Marcelo.

Apesar da declaração, Marcelo admitiu um futuro negro para António Costa. “Tenho visto com atenção o que acontece lá fora, e conta-se por um ou dois dedos da mão os [Governos] que foram reeleitos em contexto de pandemia. Tem sido Governos a perder eleições e Presidentes a perder eleições, mas quem é eleito é para ser punido perante o que corre mal, não é só para ser louvado”, disse o Presidente da República.

“Dizer que há cheiro a crise, isso há desde que surgiu a pandemia e a crise económica e social, o que é normal é que caiam a seguir”, acrescentou Marcelo, dando o exemplo de Churchill, “que ganhou a guerra e foi corrido a seguir“.

ZAP //

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21 COMENTÁRIOS

  1. O não-milagre… E se acrescentassem os mais de 5 mil mortos que tivemos a mais este ano face à média dos últimos 5 anos, ainda menos milagre seria. É que muitos outros países atribuem esta diferença de mortalidade à COVID. Por cá, não.

  2. agora é o discurso dos martires!
    quando foi questionado em praça publica respondeu que se não estava satisfeito o cidadao com o trabalho do PR, que votassem noutro! Agora como o tapete está a ser puxado por baixo dos pés já adopta o discurso do Responsavel por tudo o que está mal.
    Teve muito tempo para tomar medidas em vez de andarem todos a tirar ferias em Agosto para dar o exemplo de como se transmite o virus…

  3. E por que é que tem de ser o pateta auto flágico do Marcelo a assumir todas as culpas de um governo incompetente e facilitista? A César o que é de César e a Costa o que é de Costa.

  4. Os mortos, a grande maioria são,idosos em Lares 99% legalizados, os idosos utentes não se infectaram por si só,as infecções foram levadas de fora para dentro.
    Como é feito o rastreio ás visitas e funcionários que em contacto social no exterior são potenciais contagiadores
    dos idosos.
    Criou a DGS grupos de intervenção rápida nos lares logo que apareça um surto.Pergunto aonde está O ANTES?

  5. Sr. Presidente assumir culpas sem consequencias é só para inglês ver…
    Na verdade não houve milagre nenhum, infelizmente, mas uma pandemia é sempre imprevisivel.
    Não obstante, continuo a achar que tem sido um bom Presidente.

  6. Estado de emergência “limitado ” não existe, é um disparate , o Presidente deve ser “caloiro” da faculdade de Direito.

    • Este Presidente está todo roto. Às vezes até me rio de certas das suas bacoradas. O pior dos 5 presidentes que tivemos depois do 25 de abril.

    • Este senhor, que fez constar que fez constar que era muito inteligente, mas que me parece mais dominar o “chico-espertismo” ou a “esperteza saloia”, possivelmente nem terá o curso de Direito que diz ter, e onde terá chegado a a prof. catedrático. Nunca se lhe viu uma afirmação profunda, daquelas que obrigam a meditar, não tem qualquer capacidade para apreciar uma situação de cima, como é usual nas pessoas sábias e com experiência.

  7. Estado de emergência ?! Forma de oprimir o povo e causar alarme e medo ao povo neste caso . ” Limitado ” Ou é, ou não é estado de emergência, digamos maneira de culpar o povo pela situção e livrar os verdadeiros responsáveis.

  8. Acho piada…Então não tivemos o prémio da final da Champions League devido ao milagre português, tendo a comunidade europeia aproveitado essa oportunidade para recompensar o mérito dos portugueses que se mostraram exemplares no combate à pandemia? Este senhor mete dó, nem para presidente da associação de condóminos lá do prédio o queria. Tem colaborado vergonhosamente com a política de meter medo às pessoas, de apoiar a difusão do pânico, com aquele ar frio, ausente e de enorme desprezo com que fala dos outros, que somos nós….O meu voto ele não tem.

  9. Vão buscar os 900 milhões ao Joe Bernardo, e não perdoem dívidas só Luís Filipe Vieira talvez a economia estivesse melhor! Corrupção ao mais alto nível!

  10. Quando se lança limitaçao a liberdade para travar o virus, e se colocam pessoas que estiveram com covid na rua e a trabalhar sem fazerem novo teste, está tudo dito.
    Não bate a bota com a perdigota.

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