As contas do FMI chegam sempre atrasadas, diz Marcelo

Etienne Laurent / EPA

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Paris

Marcelo Rebelo de Sousa reagiu às previsões do FMI para a economia portuguesa, que vaticinam um défice de 2,6% no final deste ano, valor acima do previsto pelo governo, considerando que as avaliações da instituição chegam sempre atrasadas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que, no final deste ano, Portugal atinja um défice de 2,6%, um valor acima das previsões do governo, mas que melhoram as anteriores estimativas que falavam num défice de 3%.

Apesar disso, Marcelo Rebelo de Sousa rebate as estimativas da instituição internacional e considera que “estes relatórios vêm sempre um pouco atrasados” e que, portanto, não têm ainda em conta os números da última execução orçamental, conforme declarações recolhidas pela Rádio Renascença em Faro.

O Presidente da República destaca estes “são números que acabaram de ser apurados” e que os relatórios estão feitos há mais de um mês, necessitando assim, de “ser atualizados”.

Marcelo também sublinha os dados “francamente bons até outubro” e constata que tem “muita esperança” de que os valores de Novembro confirmem o défice de 2,5% previsto pelo governo no final do ano.

700 milhões e “reforma duradoura”

Para 2017, o FMI prevê um défice de 2,1% considerando que, para ficar no limiar dos 1,6% previstos pelo governo, seria necessário mais 700 milhões de euros em despesa pública, defendendo uma “reforma duradoura” na despesa.

Num comunicado após a quinta missão pós-programa a Portugal, que decorreu entre 29 de novembro e a passada quarta-feira, o FMI analisou o Orçamento do Estado para 2017 (OE 2017) e prevê que, com base nas medidas do documento, o défice orçamental desça para 2,1%, abaixo da meta de 1,6% prevista pelo Governo.

“Alcançar o objetivo do Governo [para 2017] exigiria um esforço estrutural adicional de 0,4% do PIB [ou cerca de 700 milhões de euros]. Um esforço de consolidação baseado em reformas na despesa duradouras, seria mais favorável ao crescimento económico do que reduzir o investimento público”, afirma a equipa liderada por Subir Lall.

Ainda assim, as estimativas do FMI são agora mais otimistas do que eram em outubro, quando a instituição divulgou as últimas previsões referentes a Portugal, prevendo que o défice orçamental português representasse 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e 3% em 2017.

A entidade sediada em Washington estima agora que Portugal termine o ano com um défice orçamental de 2,6% do PIB, uma previsão que fica acima dos 2,5% exigidos pela Comissão Europeia e dos 2,4% inscritos no OE 2017.

Ainda assim, o FMI afirma que “as metas orçamentais do Governo para 2016 podem ser alcançadas” e destaca que os “fortes esforços” do executivo para conter o consumo intermédio, juntamente com uma contenção do investimento público, “mitigaram o impacto de uma quebra significativa na receita prevista no défice”.

Por outro lado, o Fundo antevê que a dívida pública atinja os 131% do PIB no final de 2016 e que desça apenas ligeiramente, para 130% do PIB, no próximo ano.

No OE 2017, o Governo prevê que a dívida pública aumente de 129% do PIB em 2015 para 129,7% do PIB este ano, estimando retomar uma trajetória de redução em 2017, para os 128,3%.

ZAP

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1 COMENTÁRIO

  1. E é normal que assim seja pois os dados são nossos e é logico que os nossos organismos estatisticos saibam primeiro e tenham dados mais atualizados.
    Acredito no trabalho deste governo. Não acredito na tese de que austeridade acabou mas acredito que agora a austeridade está distribuida duma forma mais justa.
    Até agora tenho visto um governo empenhado em repôr justiça social. Acredito que uma sociedade desenvolvida não se mede apenas por crescimento da economia (PIB), que de resto, para o governo anterior até interessava pouco, visto que apostou numa estratégia economica de empobrecimento e agravou desigualdades sociais, mas mede-se também por níveis de equilibrio social acentuados. Vejamos a Noruega, tem uma economia mista ( nunca embarcaram em neoliberalismos selvagens á moda de Passos Coelho ). Defendem a economia livre, aberta, mas não abdicam do Estado ser dono de empresas estratégicas mas, têm o cuidado de meter á testa destas empresas pessoas competentes e não do partido a, b ou c, geralmente gentalha incompetente que procura subir na vida colando-se aos partidos.

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