Crítico da atuação do Governo, Manuel Carmo Gomes deixa de falar nas reuniões do Infarmed

José Coelho / Lusa

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes vai deixar de falar nas reuniões do Infarmed por motivos profissionais. O especialista rejeita que a saída está relacionada com o seu desacordo com o Governo.

Na conferência de imprensa após a reunião com os peritos de saúde pública, no Infarmed, a ministra Marta Temido confirmou que Manuel Carmo Gomes vai deixar de falar nas reuniões do Infarmed, justificando com “questões de agenda” do próprio. Anteriormente, o primeiro-ministro já tinha anunciado o seu afastamento.

Em declarações ao jornal Público, rejeitou a ideia de que a decisão está relacionada com o seu desacordo com a política do Governo.

“Não é verdade. Isso é exploração política. A senhora ministra da Saúde até me incentivou a falar, quando sabia o que eu ia dizer, porque conversámos antes”, argumentou o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

“Vou continuar a apoiar as reuniões do Infarmed, poderei estar presente para esclarecer dúvidas. Agora, deixo de estar obrigado a fazer apresentações, porque estou muito sobrecarregado com a Comissão Técnica de Vacinação e porque as aulas vão começar”, explicou.

O epidemiologista tem sido um dos mais críticos da atuação do Governo e, esta terça-feira, afastou entusiasmos excessivos em relação aos números e sublinhou que “tivemos um janeiro muito mau em termos de saúde pública em Portugal” e que “temos todos obrigação de refletir sobre o que podemos fazer melhor”.

Manuel Carmo Gomes lamentou que as respostas do Governo estejam a surgir de uma forma “gradualista” e em função dos números.

“Não conseguimos desta maneira controlar um vírus que cresce exponencialmente”, atirou o especialista, salientando o facto de “andarmos constantemente atrás da epidemia” e lembrando “descuido de cinco dias” na época natalícia.

“A resposta gradual é insuficiente. Precisamos de uma resposta agressiva, com linhas vermelhas, que se forem ultrapassadas terão de ser impostas medidas muito agressivas de resposta”, insistiu, citado pelo Jornal de Negócios.

“A testagem é a arma principal que devemos usar, e não o confinamento”, atirou Manuel Carmo Gomes, reforçando a importância de travar a importação e propagação das variantes e aumentar a vigilância molecular.

  Daniel Costa, ZAP //

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