Maior favela de São Paulo vai ter banco e moeda próprios

A favela de Paraisópolis, a maior de São Paulo, de acordo com o censo de 2010 do IBGE, vai ter um banco e uma moeda própria administrados pelos moradores. Será a primeira vez que uma comunidade da zona oeste paulistana terá uma iniciativa como esta.

A instituição financeira vai se chamar Banco de Paraisópolis e será gerida pela associação de moradores e comerciantes da área. Já a moeda, apelidada de Nova Paraisópolis, deverá ser impressa e vai circular apenas dentro do bairro.

Segundo a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, há 103 dessas instituições a operar no país e fizeram circular 40 milhões de reais (quase 10 milhões de euros) entre 2016 e o final do ano passado. Funcionam à margem dos grandes bancos, de forma independente, e oferecem serviços populares que ajudam a desenvolver as regiões onde estão inseridas.

Uma das suas funções, por exemplo, é possibilitar microcrédito com juros baixos para moradores e pequenos comerciantes – em grandes bancos, normalmente as taxas são maiores, segundo a BBC.

O Banco de Paraisópolis terá uma agência dentro da favela, além de oferecer contas correntes, cartão de débito e uma aplicação para telemóvel. Mais de 6 mil pessoas já utilizam um cartão de crédito exclusivo para moradores da comunidade.

“A nossa ideia é que as pessoas tenham uma conta, possam fazer levantamentos e pequenos empréstimos”, diz Gilson Rodrigues, líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis.

Para financiar a iniciativa, a associação vai realizar um jantar de doações com empresários e personalidades. O dinheiro arrecadado irá para um fundo, que financiará as ações do banco.

Quando um morador pedir um empréstimo, por exemplo, o valor sairá desse fundo – depois, quando pagar a dívida, o dinheiro retorna ao banco para ficar disponível para outras pessoas.

Já os juros e as taxas de funcionamento serão usados para financiar causas da comunidade, além dos 32 projetos sociais que a associação de moradores tem na área, como uma orquestra de jovens ou um grupo de ballet.

“O nosso objetivo não é ganhar dinheiro, não é gerar lucro, mas investir no desenvolvimento da comunidade, no comércio e no consumo local, gerando empregos”, explica Gilson.

Estima-se que Paraisópolis tenha cerca de 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos comerciais – a maioria pertence a moradores. Grandes empresas também estão de olho nesse potencial económico e abriram lojas na área.

Cerca de 21% dos moradores trabalha dentro da própria favela, segundo a associação de moradores. Quem tiver conta no banco local terá descontos no comércio credenciado.

Por outro lado, apesar do comércio aquecido e da fama adquirida com uma novela da TV Globo que usava as suas vielas como cenário, Paraisópolis ainda tem uma série de problemas comuns a todas as favelas do Brasil, como a pobreza extrema e a falta de saneamento básico.

Obras de urbanização estão paradas há anos, como canalização e a construção de moradias sociais.

O novo banco deve priorizar empréstimos que financiem o comércio local, ajudando os clientes a desenvolverem os seus negócios. “Quando incentivamos e preparamos os comerciantes, a tendência é que o negócio corra bem e nos devolvam o dinheiro”, diz Gilson, de 33 anos.

ZAP //

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