Macron, ainda sem apoio para governar, rejeita pedido de demissão da primeira-ministra

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A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, apresentou esta terça-feira a demissão, pedido rejeitado por Emmanuel Macron, apesar da remodelação do Governo que se prevê nos próximos dias após a perda da maioria absoluta na Assembleia Nacional.

Dos 577 deputados eleitos nas legislativas de domingo, 302 são estreantes no Parlamento. A coligação Ensemble!, que apoia Macron, elegeu 245 deputados, perdendo mais de uma centena dos 350 que tinha e ficando longe dos 289 que permitiriam atingir a maioria absoluta, apontou o Público.

À esquerda está a Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), liderada por Jean-Luc Mélenchon, que conquistou 131 lugares e que, entretanto, já propos a criação de um grupo parlamentar único, ideia recusada pelos parceiros – gerando a primeira cisão na coligação após as eleições.

A União Nacional (extrema-direita) passou de sete para 89 deputados. A líder Marine Le Pen considera que este é o “primeiro partido da oposição”, avisando que não abdicará de uma vice-presidência da Assembleia nem da presidência da comissão de Finanças – cargo reservado ao principal partido da oposição, pelo qual passa o controlo das contas do Estado.

Mas a NUPES – composta pelo partido França Insubmissa, socialistas, comunistas e ecologistas -, que também reivindica o estatuto de maior força de oposição, quer igualmente presidir à comissão de Finanças.

Por sua vez, os Republicanos garantiram 61 eleitos, registando uma queda de 39 deputados face a 2017, tenho entretanto afirmado, na segunda-feira, que não vão apoiar Macron. “Não se coloca a questão de um pacto, nem de uma coligação, nem de um acordo de qualquer forma”, garantiu o presidente de partido, Christian Jacob.

Remodelação no Governo?

Como referiu o jornal diário, as ministras da Saúde, Brigitte Bourguignon, e da Transição Ecológica, Amélie de Montchalin, e a secretária de Estado do Mar, Justine Bénin, perderam as respetivas eleições e terão de abandonar o Governo, segundo uma regra não escrita que vigora nas legislativas francesas.

A porta-voz do Governo, Olivia Grégoire, avançou que alguns governantes eleitos para a Assembleia poderão ser substituídos na remodelação prevista, como Damien Abad, o ministro da Solidariedade, da Autonomia e das Pessoas com Deficiência, que é acusado de violação por três mulheres.

Para poder governar, Macon terá que fazer acordos parlamentares. Borne já tinha garantido, antes de se demitir, que trabalharia “para construir uma maioria de ação”. Contudo, ainda no domingo, vários deputados da NUPES já reclamavam a demissão da primeira-ministra.

O deputado de esquerda Eric Coquerel anunciou igualmente que a 05 de julho será apresentada uma moção de censura ao Governo, dia em que é suposto Borne apresentar à Assembleia o programa e as prioridades para o mandato. Para a moção ser bem-sucedida são necessários os votos favoráveis de 289 deputados.

  ZAP //

1 Comment

  1. Os responsaveis pelo aumento do custo de vida, desde que Russia iniciou a invasao da Ucrania, começam a caír. Em vez de se sentar á mesa antes da guerra começar ou até mesmo depois de ter começado, preferiram tomar decisões desastrosas para a economia, sociedade e identidade europeias. O mexilhao é que paga, todos nós que temos de trabalhar para poder comer algo durante o mês. O povo nao dorme e aí está a prova. Mais, muitos mais se seguirão. Que sorte termos tido esta cambada de imcompetentes a governar simultaneamente os países da uniao europeia e até a comissao europeia. Se eu fosse patrão, já tinham sido despedidos há muito.. Estamos tramados, esperem para ver..

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