Movimento 5 Estrelas ganha eleições em Itália, mas fica tudo em aberto

Alessandro di Meo / EPA

Sem maioria, o Movimento 5 Estrelas reuniu a maior percentagem de votos. No entanto, a percentagem alcançada (30%) deixa-lhe duas opções: ou quebra a promessa de não fazer coligação, ou alia-se à extrema-direita.

Nas eleições de Itália, que se celebraram este domingo, ninguém esteve perto de alcançar a maioria que permite a governabilidade calculada entre os 40% e os 45%, de acordo com o Diário de Notícias.

Vencedor sagrou-se o Movimento 5 Estrelas, de Luigi di Maio, com 29% a 32% – ainda longe da estabilidade política.

Com este resultado, surge um outro problema: este foi o Movimento que, durante a campanha eleitoral, prometeu não formar coligação com nenhum outro partido. Mas com estes resultados, o M5E já se mostrou disposto a voltar atrás e falar com outros partidos. Resta saber com quem.

De acordo com o Observador, o M5E já deixou algumas pistas. Matteo Salvini, líder da Liga – que conseguiu entre 13% a 16% -, foi ambíguo nas declarações que fez na altura de avaliar os resultados. Em conferência de imprensa, Giancarlo Giorgetti, vice-presidente da Liga, disse: “Naturalmente, falaremos primeiro com os nossos aliados”.

Giancarlo Giorgetti deixou então claro que o seu partido vai falar com o Forza Italia, de Silvio Berlusconi, primeiro, mas será que depois tenciona sentar-se à mesa com o M5E? Numa conferência de imprensa sem direito a perguntas dos jornalistas, ficou tudo por esclarecer. Apenas disse: “Sabemos o que devemos fazer. Vemos o futuro com grande tranquilidade e serenidade”.

Mais tarde, outro dirigente da Liga, Lorenzo Fontana, tornou a deixar uma mensagem que pode insinuar uma aproximação ao M5E e um afastamento do FI, pondo fim ao bloco de centro-direita.

“Começou a revolução do bom senso, graças à democracia e aos nossos cidadãos, que finalmente perceberam que o mainstream e os grandes poderes não defendem os seus interesses”, disse, podendo estar a fazer referência a Berlusconi.

Ao M5E e à Liga pode ainda juntar-se o Fratelli d’Italia (FdI) – entre 4% a 6% -, partido de extrema-direita eurocética que também fez parte do bloco do centro-direita. Em todas as projeções, a soma das percentagens previstas para estes três partidos eurocéticos e populistas ultrapassavam os 50%.

Mesmo que isso não se traduza em assentos parlamentares – na nova lei eleitoral italiana, um terço dos deputados são eleitos em círculos uninominais -, isso não esconde o facto de metade dos italianos terem votado em partidos anti-sistema, que já defenderam a saída de Itália, a quarta maior economia da Europa, tanto da UE como do euro.

Tendo em conta a complexidade do novo sistema eleitoral, os resultados definitivos da composição do próximo parlamento italiano tardarão a chegar.

O novo sistema em vigor em Itália é uma complexa mistura entre os sistemas proporcional e maioritário, fazendo com que, para ter maioria no parlamento, um partido ou coligação precise de 40% dos votos, segundo uns especialistas, e 45%, segundo outros.

Em função destes resultados, que não ditam a maioria de nenhum partido, coloca-se o cenário de coligações, que a RAI – a estação pública italiana – também analisa a partir ainda das sondagens, uma vez que não há ainda resultados apurados.

Tendo isso em conta, um bloco de centro-direita também é possível, segundo o Expresso.

Se, em vez do primeiro cenário, a Liga (13% a 16%) optar por se juntar à Forza Italia (com os mesmos resultados), ao Fratelli d’Italia (4% a 6%) e ao Noi con I’Italia (com 1% a 3%), o bloco de centro-direita alcança entre 34% a 37%, o que o coloca à frente do Movimento 5 Estrelas, mas ainda longe da maioria necessária.

Significa isto que as eleições italianas de domingo deixaram tudo em aberto e só as coligações poderão devolver a Itália um rumo e um Governo.

CF, ZAP //

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