“Deixámos passar e os doentes já aparecem nas urgências”: 200 mil à espera de cirurgia

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(dr) Ordem dos Médicos

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

Cerca de 206 mil pessoas estão numa lista de espera. 2021 foi o ano com mais operações em Portugal, mas o Bastonário da Ordem dos Médicos deixa um aviso.

A Administração Central do Sistema de Saúde revelou que 2021 foi o ano com mais operações em Portugal, desde que há registos: mais de 700 mil. Mas, mesmo assim, ainda há muito para recuperar.

A pandemia alterou as rotinas de todos os hospitais em Portugal (e não só) e, como já se esperava, a COVID-19 afectou muito as pessoas que têm outros problemas de saúde e aguardam por uma intervenção cirúrgica para resolver o problema.

Ao entrarmos em 2022, havia cerca de 206 mil portugueses em lista de espera para realizar uma operação – a maioria das intervenções (120 mil) deveria ter sido realizada ainda em 2020, mas foram adiadas por causa do coronavírus.

Os motivos são fáceis de explicar: o foco passou a ser os doentes COVID, sobretudo em 2020, e muitos profissionais de saúde foram “desviados” para esse reforço, deixando para trás o serviço onde trabalhavam; e muitos utentes ficaram à espera da sua vez, até hoje.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, confirmou que no ano passado a situação foi normalizada, dizendo que em 2021 houve “uma actividade semelhante, até ligeiramente superior” em relação a 2019.

No entanto, 2020 não pode ser ignorado: “Aquilo que ficou por fazer em 2020 ainda não foi recuperado. E vou dizer uma coisa: ou é recuperado rapidamente, ou depois essa recuperação já não é possível, já não é a mesma coisa”.

“Pretendemos que os nossos diagnósticos sejam o mais precoce possível, nomeadamente nas doenças crónicas, como a diabetes, que tem um impacto global noutras áreas, no nosso organismo. Se deixarmos passar demasiado tempo, os doentes começam a aparecer no serviço de urgência. Aliás, isso já começou a acontecer”, avisou, em declarações à Antena 1.

Miguel Guimarães defende ainda que as redes de diagnóstico devem ter uma capacidade maior, ser aumentadas: “Para apanharmos rapidamente pessoas que ficaram para trás em 2020 e para, depois, começamos a estabilizar as coisas”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

3 Comments

  1. Os motivos dos adiamentos devem-se simplesmente a não haver um acordo entre público e privado uma vez que estes últimos têm aumentado o número de hospitais e existe certamente uma maior capacidade de oferta como nunca existiu. Conheço pessoas que tiveram que recorrer a hospitais privados após anos sem resposta por parte do público, recorrendo a ajudas familiares por não terem capacidade financeira para pagarem as intervenções. Conheço um caso bem recente de pessoa de meia-idade pai de quatro filhos um ainda bebé, mandado esperar 6 meses por um diagnóstico, com ajuda familiar recorreu a um hospital privado onde fez vários exames e foi-lhe diagnosticado um tumor no intestino e operado de seguida, por aqui poderemos analisar o resultado que daria a espera no público só para um diagnóstico, depois para a operação quantos mais meses seriam se é que ainda fosse a tempo. Portanto, a propaganda do governo só poderá eludir quem andar de olhos tapados!

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