Lisa Montgomery. Pela primeira vez em 70 anos, EUA executam uma mulher por injeção letal

Lisa Montgomery, de 52 anos, foi executada por injeção letal no Complexo Correcional Federal em Terre Haute, Indiana, Estados Unidos, e declarada morta às 1h31 da manhã de quarta-feira.

Lisa Montgomery foi a primeira mulher a ser executada pelo governo federal desde 1953 e era a única mulher no corredor da morte.

A Suprema Corte negou um último esforço na terça-feira dos seus advogados de defesa, que argumentaram que deveria ter recebido uma audiência de competência para provar a sua doença mental grave, o que a teria tornado inelegível para a pena de morte.



Montgomery foi a 11ª prisioneira federal do corredor da morte a ser executada pelo governo de Donald Trump, após um hiato de 17 anos nas execuções federais. “O governo não parou por nada no seu zelo para matar esta mulher ferida e delirante”, disse o advogado de defesa Kelley Henry, num comunicado citado pela CNN. “A execução de Lisa Montgomery estava longe da justiça.”

Os advogados, familiares e simpatizantes de Montgomery imploraram a Trump para ler sua petição de clemência e tomar a decisão executiva de comutar a sua sentença para prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional.

Lisa Montgomery foi condenada à morte em 2008 por um júri do Missouri pelo assassinato de Bobbie Jo Stinnett, uma mulher grávida, em 2004. Em dezembro desse ano, Montgomery conduziu cerca de 274 quilómetros desde a sua casa no Kansas até à casa de Bobbie Jo Stinnett, uma criadora de cães de 23 anos que morava em Skidmore, Missouri, para supostamente adquirir um novo animal.

Em vez disso, Montgomery sufocou Stinnett com uma corda e usou uma faca para realizar a cesariana, após a qual fugiu com o bebé, tomando-o como seu durante uma disputa pela custódia dos seus outros filhos.

O seu histórico de computador mostrou que antes tinha pesquisado como fazer cesarianas. O bebé sobreviveu e fo criado pelo pai.

Um juiz federal concedeu a Montgomery a suspensão da execução na terça-feira para uma audiência de competência – poucas horas antes da data marcada para a execução. “O Tribunal estava certo em impedir a execução de Lisa Montgomery”, disse Henry. “Como o tribunal concluiu, a Sra. Montgomery deu uma forte demonstração da sua atual incompetência para ser executada. A Sra. Montgomery tem danos cerebrais e doenças mentais graves que foram exacerbadas pela vida inteira de tortura sexual que sofreu nas mãos de cuidadores”.

“A Oitava Emenda proíbe a execução de pessoas como a Sra. Montgomery que, devido à sua doença mental grave ou dano cerebral, não entendem a base das suas execuções. A Sra. Montgomery está a deteriorar-se mentalmente e estamos a procurar uma oportunidade para provar a incompetência”.

No entanto, o Supremo Tribunal negou o esforço e os apelos a Trump foram infrutíferos.

Segundo a Sky News, no início da execução, uma mulher aproximou-se de Lisa Montgomery, removeu-lhe a máscara e perguntou-lhe se tinha últimas palavras. “Não”, respondeu a condenada em voz baixa.

Alguns dias de adiamento poderiam ter feito a diferença, uma vez que Joe Biden, que toma posse a 20 de janeiro, se opõe à pena de morte. Trump, pelo contrário, voltou a executar prisioneiros em 2020, pela primeira vez desde 2003. No caso de mulheres, a última vez que tinha acontecido foi em 1953.

Estão previstas mais duas execuções para esta semana: Corey Johnson na quinta-feira e Dustin Higgs na sexta-feira. Ambas foram suspensas por um juiz de um tribunal federal, uma vez que os homens ainda se estão a recuperar da covid-19.

Os procuradores pretendem apelar da decisão sobre Higgs e Johnson, de acordo com documentos do tribunal.

  Maria Campos, ZAP //

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