As cinco lições da pandemia segundo Costa (e a “oportunidade histórica” para o país)

Mário Cruz / Lusa

António Costa considera que estamos perante uma “oportunidade histórica” para transformar o país, tirando partido das cinco lições que a pandemia de covid-19 nos deixou. Uma ideia defendida na abertura do 23.º Congresso Nacional do PS, onde foi revelado que foi reeleito secretário-geral com 94% dos votos.

O discurso de António Costa na abertura do Congresso Nacional do PS, que arrancou neste sábado, em Portimão, girou em torno das cinco lições que o secretário-geral socialista diz que podemos retirar da pandemia de covid-19.

A primeira dessas lições, segundo Costa, é a importância de ter um Estado social forte, sobretudo no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Tema que o primeiro-ministro aproveitou para lançar uma alfinetada à direita, notando como o seu Governo promoveu a reposição dos cortes feitos no SNS durante os anos da Troika.

“Nunca nenhum profissional de saúde teve de ser sujeito à violência terrível dessa escolha que é optar quem deixar viver ou morrer”, apontou ainda Costa.

A segunda lição é mais uma farpa à direita, com Costa a realçar que “às crises responde-se com solidariedade e não com austeridade“. Nesse sentido, o líder socialista relembrou como o seu Governo actualizou os salários, garantiu apoios às empresas e salvou a TAP.

A terceira lição é a importância de ter boas contas públicas, com Costa a frisar que o desempenho orçamental português permitiu que não fosse preciso “fazer contas mesquinhas”, cortando nos serviços públicos em tempos de pandemia.

“Os famosos mercados não têm medo da nossa política. Têm confiança na nossa política”, vincou ainda.

Agora, o caminho passa por continuar a ter “finanças públicas sãs e Segurança Social cada vez mais sólida”, referiu, notando a recuperação económica do país que voltou a crescer e acima da média da União Europeia.

Como quarta lição, Costa falou do reconhecimento da importância da União Europeia, salientando a aprovação da “bazuca”, com a emissão da dívida conjunta, e a resposta na distribuição de vacinas.

“A direita portuguesa não aprendeu o que a direita europeia já percebeu”, sustentou ainda em mais um recado para a oposição.

A quinta lição passa por perceber que é preciso acelerar reformas, como notou Costa no seu discurso, destacando a importância de avançar com a “agenda para o trabalho digno”.

“Queremos emprego, emprego, emprego, mas é preciso dizer que queremos emprego com dignidade e salários decentes”, realçou.

Costa também abordou as questões laborais no sector da cultura. “Vamos dar um passo histórico que é tratar os trabalhadores da cultura de acordo com as especificidades, mas garantindo a cobertura da Segurança Social”, salientou.

No seu discurso falou ainda de temas como a habitação, os cuidados de saúde continuados dos idosos, os transportes públicos e a transição verde e digital como áreas em que é preciso continuar a investir.

“Este não é o tempo de estarmos ausentes, este é o tempo de nos animarmos”, constatou, realçando a “oportunidade histórica” para transformar o país.

Costa deixou, por fim, um agradecimento especial aos profissionais de saúde e às Forças Armadas pelo contributo que deram na resposta à pandemia.

“Este é o tempo de arregaçar as mangas”

“Este não é o tempo de desanimarmos. É o tempo de nos animarmos. Este é o tempo de arregaçar as mangas, não só daqueles que estão no Governo, mas também daqueles que estão nas freguesias e nas Câmaras ou em todos os locais em que se pode fazer a diferença”, referiu também.

A menos de um mês das eleições autárquicas, Costa apela assim a uma “grande mobilização” por parte do PS.

“Este não é o tempo para se estar ausente, mas para se estar presente”, disse ainda.

“Não somos um partido qualquer, somos o maior partido autárquico português. Somos um grande partido nacional popular. Somos o único partido que tem autarquias nos Açores, na Madeira, no Algarve, no Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo, no Centro e no Norte”, referiu, deixando claro qual é o objetivo para as autárquicas de Setembro.

“Queremos continuar a ser o maior partido nas freguesias e nas Câmaras, não para pôr uma bandeira do PS, mas porque todos somos poucos para servir Portugal“, concluiu.

Costa reeleito secretário-geral com 94% dos votos

António Costa foi reeleito secretário-geral do PS com 21.888 votos, representando 94% do total de votantes.

A lista de Daniel Adrião reuniu 1.430 votos, segundo os dados anunciados no Congresso do partido.

Costa foi reeleito em Junho passado secretário-geral do PS, e eram já conhecidos alguns dados provisórios, mas o número exacto de votos que cada candidato às directas obteve foram apenas anunciados neste sábado.

Os resultados foram anunciados logo no início dos trabalhos pelo presidente da Comissão Organizadora do Congresso e líder da Federação do Algarve, Luís Graça, que adiantou que participaram no acto eleitoral 23.952 militantes.

António Costa foi eleito com 21.888 votos, o que corresponde a 94% dos votos expressos. Já Daniel Adrião, dirigente da tendência minoritária dos socialistas, obteve apenas 6%.

A moção ‘A’, apresentada pelo secretário-geral do PS, elegeu para o congresso 1.007 delegados e a moção ‘B’, apresentada por Adrião, elegeu 24.

  ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Oportunidade histórica! Iremos ver se será mais uma à custa do PS que ficará na história por maus exemplos a que nos tem habituado, gato escaldado da água fria tem medo!

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