O Lesoto, o país com um estranho registo limpo de covid-19, regista primeira infeção

Nic Bothma / EPA

O Lesoto era, até hoje, o único país do continente africano sem casos confirmados. A disparidade na capacidade de testes entre os países é um fator de incerteza no controlo da epidemia de covid-19 na região.

O Lesoto, o único país em África que permanecia até agora sem casos de covid-19, anunciou esta quarta-feira ter registado a primeira infeção, correspondente a um cidadão vindo do estrangeiro.

“O que o Centro Nacional de Comando de Emergência do Lesoto [NECC] pode confirmar é que o caso é importado do Médio Oriente, sem sinais ou sintomas”, explicaram as autoridades sanitárias do pequeno reino, localizado no meio da África do Sul, através do Twitter.

Numa declaração oficial, o Ministério da Saúde do Lesoto explicou que o resultado positivo foi confirmado esta terça-feira, após a realização de 81 testes entre pessoas que tinham vindo da África do Sul e da Arábia Saudita.

O Lesoto era o único país do continente africano sem casos confirmados, embora a disparidade na capacidade de testes entre países seja um fator de incerteza no controlo da epidemia na região. O pequeno reino do Sul não tem capacidade para testar a própria doença e, até à data, apenas foram realizados 597 testes com a ajuda de laboratórios sul-africanos (301 dos quais estão ainda pendentes).

Há muito poucos países sem qualquer caso confirmado de covid-19. Há exceção de dez ilhas no Oceano Pacífico e dois estados com regimes autoritários (Coreia do norte e Turquemenistão), todos os países do globo combatem o novo coronavírus.

Nestes casos, a inexistência do vírus é fácil de explicar, quer pela insularidade longínqua, quer pela falta de credibilidade das estatísticas. No entanto, há outro país com um registo limpo que é mais difícil de compreender.

Os números oficiais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e a base de dados da Universidade Johns Hopkins não atribuíam, até hoje, qualquer caso ao Lesoto.

Kathleen McCarthy, representante do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas no Lesoto, explicou ao Expresso que “é muito difícil acreditar que não haja casos” neste país africano, “uma vez que o país está completamente rodeado pela África do Sul, onde há milhares de casos confirmados”.

A África do Sul, com pouco mais de 10 mil casos positivos, é o país africano mais afetado pela covid-19. “As fronteiras com a África do Sul são conhecidas por serem muito porosas e é um facto bem conhecido que há pessoas que a atravessam ilegalmente e entram no país sem ficarem de quarentena ou sem serem testadas“, explicou ainda a responsável.

O Lesoto está completamente dependente do país vizinho para fazer testes à covid-19, devido à limitada capacidade do setor da saúde deste país.

“No PAM estamos particularmente preocupados com as consequências humanitárias que a covid-19 já está a ter num dos países mais pobres do mundo. O Lesoto tem a segunda taxa mais alta de HIV do mundo [o primeiro é a Suazilândia] e está agora a lidar com duas emergências nacionais”, explicou ainda, referindo-se à covid-19 e à seca muito grave que o país enfrenta.

De acordo com o semanário, a 6 de maio, o Lesoto pôs fim a cinco semanas de confinamento e os impactos económicos são devastadores.

“Estima-se que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aumente de cerca de 500 mil para perto de 900 mil até setembro deste ano”, projetou McCarthy, que salientou que a pandemia de covid-19 pode ser o início de uma pandemia de fome no país africano.

ZAP // Lusa

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