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Lesados do Banif levam TVI a tribunal e querem a cabeça do director

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Mário Cruz / Lusa

    O Diretor de Informação da TVI e da TVI24, Sérgio Figueiredo, à entrada para a sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif

O Diretor de Informação da TVI e da TVI24, Sérgio Figueiredo, à entrada para a sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif

A Associação dos Lesados do Banif, ALBOA, anunciou esta quinta-feira que vai avançar com uma ação judicial contra a TVI e defendeu a demissão do diretor daquela estação de televisão, Sérgio Figueiredo.

“Com as conclusões da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) apresentadas publicamente, julgamos estarem reunidas as condições para avançar com uma ação de responsabilidade civil efetiva contra a TVI em nome de todos os lesados inscritos na ALBOA e daqueles que se vierem a inscrever”, afirmou o presidente da ALBOA, Jacinto Silva, em conferência de imprensa, em Lisboa.

A iniciativa surge na sequência da controvérsia gerada pela notícia da TVI de 13 de dezembro de 2015, um domingo à noite, segundo a qual o Banif se preparava para fechar – que foi actualizada por sete vezes nessa noite em rodapé na TVI24.

Segundo alguns analistas, a notícia terá provocado a saída de cerca de mil milhões de euros de depósitos do Banif na semana seguinte.

De acordo com notícia avançada pelo Jornal de Negócios na passada segunda-feira, o regulador da comunicação social condenou a TVI pela atuação em torno do Banif e concluiu que a estação não contactou as partes interessadas antes de avançar com a notícia do encerramento do banco.

Perante estas conclusões da ERC, o presidente da associação que representa os clientes lesados do Banif questionou: “Será possível o senhor jornalista Sérgio Figueiredo não se ter demitido ainda?”.

Em junho, a ALBOA apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público, cujo inquérito está a decorrer, por considerar que foi a notícia da TVI que conduziu ao levantamento dos depósitos no dia seguinte à sua divulgação e que precipitou a resolução que levou à venda do Banif.

Os clientes lesados do Banif vão realizar uma manifestação nacional em Lisboa, no dia 16 de setembro, pela salvaguarda dos seus direitos depois da falência do banco.

Trata-se da primeira manifestação a nível nacional, uma vez que as anteriores ocorreram nas ilhas dos Açores e da Madeira.

A concentração está prevista para as 10h30 do dia 16 de setembro, na Praça do Comércio, em Lisboa, ponto a partir do qual os associados se vão deslocar para a sede do Santander Totta, seguindo depois para o Banco de Portugal (BdP).

A ALBOA foi criada há seis meses na sequência de manifestações espontâneas dos lesados do Banif, levadas a cabo sobretudo nas regiões autónomas da Madeira e Açores, onde o banco detinha uma quota de mercado significativa, antes de ser vendido ao Santander Totta por 150 milhões de euros.

A associação representa 3.500 obrigacionistas subordinados que perderam 263 milhões de euros no processo de venda do banco, bem como 4.000 obrigacionistas Rentipar (‘holding’ através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira.

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ZAP / Lusa

4 Comments

  1. Este diretor é um lacaio dos interesses dos patrões da TVI.Devia ter vergonha de publicar uma noticia que beneficiou em 75 000 000,00 €(setenta e cinco milhões) coisa pouca a TVI. Mas em contrapartida prejudicou milhares de cidadãos anónimos, a quem o dinheiro faz muita falta! Vamos boicotar os seus programas, não ver a TVI. Eu só vejo a concorrência.Sergio Figueiredo é um petulante vai cavar batatas!…

  2. A impunidade é o pequeno almoço de uma casta que passa o dia a congeminar e a comnspirar para escravizar cada vez mais este pobre e pequeno país habitado por uma espécie de gente exageradamente tolerante.

    A monstruosidade virou regra e a decência é uma nódoa que teima em manter-se em alguns cantos deste país retalhado

  3. Já referi isto num outro comentário a este respeito.
    Os orgãos de comunição social que, para subir o “share”, usam práticas jornalisticas que, no minimo, são reprováveis e levianas, deverão ser punidos em conformidade e proporção identica aos danos que causam a terceiros.
    Esta questão do Banif é particularmente grave, tendo em conta o impacto, em extensão e abrangência que uma noticia desta natureza implica.
    Não tenho duvida que uma noticia destas acelerou o desfecho (e resolução) do Banco em prejuízo dos milhares de pessoas que lhes confiaram as suas poupanças de anos. Independentemente do orgão de comunicação social, acho que deve ser punido severamente. Eu, e os meus compatriotas contribuintes é que não temos que ser responsabilizados por isto( como já estamos a ser).

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