Para os jovens refugiados, um telemóvel pode ser tão importante quanto comida ou água

Entre 2015 e 2018, mais de 200.000 jovens não acompanhados reivindicaram asilo na Europa. Muitos deles, agora na União Europeia, têm uma coisa em comum: os seus smartphones.

Não são apenas ferramentas para entretenimento nem uma forma de manter contacto com a família e amigos. As ferramentas digitais são também uma tábua de salvação para refugiados e menores não acompanhados, e podem-se tornar tão essenciais quanto água, comida ou abrigo.

No entanto, para muitos destes jovens, a falta de acesso a tecnologias digitais, os pacotes caros de banda larga ou os níveis de alfabetização muito baixos podem atuar como barreiras se quiserem viver num mundo digital.

Recentemente, investigadores do Reino Unido e da Hungria lançaram um projeto de pesquisa que tem como principal objetivo aumentar a alfabetização mediática e entender de que forma os jovens refugiados desacompanhados usam as tecnologias e as próprias redes sociais em seu benefício.

O trabalho de campo foi realizado durante dois anos em quatro países europeus – Suécia, Itália, Holanda e Reino Unido – com o intuito de descobrir se estas tecnologias podem mesmo ajudar a promover uma integração bem-sucedida.

De acordo com o The Conversation, os investigadores entrevistaram 56 refugiados, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, assim como os seus mentores e educadores.

As conclusões foram claras: os investigadores descobriram que os jovens refugiados se podem perder facilmente ao tentar aceder ao mundo digital. Por esse motivo, precisam de ferramentas para se integrarem com sucesso numa cultura cada vez mais conectada à rede.

A infinidade de provedores de serviços, plataformas e dispositivos também podem ser intimidadores. Ainda assim, a equipa ficou surpreendida com a rapidez com que alguns dos jovens conseguiram encontrar maneiras de negociar as suas novas circunstâncias digitais – geralmente depois de saírem dos países em guerra.

Desde o uso de aplicações de tradução até ao download de músicas dos seus próprios países, a verdade é que muitos dos jovens refugiados aprenderam muito rapidamente como funcionam estas ferramentas.

Além disso, a investigação permitiu perceber que os seus mentores ou responsáveis eram o seu primeiro ponto de ajuda quando encontravam algum problema online. Os jovens mais velhos foram considerados essenciais para ajudar os mais novos a entender como funciona o mundo digital.

A equipa descobriu ainda que muitos dos jovens não pensavam criticamente sobre as suas experiências online – e, numa era em que as fake news ganham terreno, este pode ser um ponto perigoso. Por esse motivo, os investigadores criaram uma aplicação – chamada Media + Mentor – direcionada para mentores ou educadores que trabalham diretamente com jovens refugiados desacompanhados.

O objetivo da aplicação é trazer mais mentores e prestadores de cuidados e indicar recursos, suporte e aconselhamento sobre os problemas online mais comuns enfrentados pelos refugiados: fake news, cyberbullying ou discurso de ódio.

A literacia mediática é essencial. Para qualquer jovem europeu, as aplicações e as plataformas online são recursos úteis para aprender coisas novas e encontrar informações relevantes. No entanto, como refugiado num novo país, pode ser difícil saber como aceder e como usar a Internet – a ajuda preciosa dos novos tempos.

ZAP //

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