Jovens portugueses em risco se Trump acabar com proteção de imigrantes

Um número indeterminado de jovens portugueses está em risco se Donald Trump cumprir a promessa de terminar com um programa que protege pessoas levadas para os EUA de forma ilegal em crianças, segundo várias organizações ouvidas pela Lusa.

Os EUA não divulgam o número de beneficiários por país do “Deferred Action for Childhood Arrivals” (DACA), mas organizações que prestam apoio a imigrantes portugueses em Rhode Island, Massachusetts, Nova Iorque, Nova Jérsia e Califórnia garantiram à Lusa que foi um programa muito popular nas suas comunidades.

“Só no meu estado, acho que estamos a falar de centenas de pessoas“, disse à Lusa Helena da Silva Hughes, diretora do Centro de Apoio ao Imigrante de New Bedford, em Massachusetts.

O programa, lançado em 2012 por Barack Obama, permite a jovens que foram levados para os EUA em criança de forma ilegal receberem proteção contra deportação, autorização de trabalho e número de segurança social.

Apesar de a comunidade portuguesa ser documentada na sua grande maioria, Helena da Silva Hughes disse que “nos últimos anos muitos imigrantes, sobretudo dos Açores, foram juntar-se a familiares que já estavam nos Estados Unidos” e que alguns dos mais jovens encontraram proteção nesta ordem executiva.

Moses Apsan, que é dono de uma das empresas de advocacia especializadas em imigração mais populares do estado de Nova Jérsia, calcula ter ajudado mais de 100 portugueses a candidatarem-se ao programa.

“Nestes anos, preenchi entre 300 a 400 candidaturas. Cerca de metade eram de cidadãos portugueses”, explicou o advogado à Lusa.

No mesmo estado, na cidade de Newark, Ana Oliveira também prestou apoio a vários portugueses que se candidataram ao programa e confirmou que “é um assunto que afeta diretamente os portugueses.”

“A comunidade portuguesa está estabelecida e por isso a maioria acha que este tema não lhes diz respeito, mas é um problema que pode atingir muitas famílias portuguesas“, garantiu a consultora jurídica.

Barack Obama lançou o DACA em 2012, usando os seus poderes presidenciais, depois de um mandato em que a reforma da imigração que tinha prometido durante a campanha foi bloqueada pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

Isto significa que a medida pode ser revertida a qualquer momento por Donald Trump, sem passar por nenhuma das câmaras do congresso norte-americano.

Durante a campanha, Trump prometeu acabar com o programa, dizendo que era uma “amnistia ilegal” e que esta terminaria “no primeiro dia” da sua presidência.

O partido republicano também considera que Obama abusou dos seus poderes presidenciais com esta ação executiva e Jeff Sessions, o procurador-geral nomeado por Trump, é um dos maiores críticos do programa.

Apesar destas posições, a nova administração da Casa Branca ainda não tomou qualquer posição sobre o DACA e tem recusado comentar a questão quando questionado pelos jornalistas.

Fonte da embaixada de Portugal em Washington disse à Lusa que “a política de imigração da nova administração está ainda em evolução, e, relativamente ao DACA, não têm havido indicações recentes de que o programa será revogado”.

A mesma fonte recordou ainda que “a comunidade portuguesa e luso-americana é um comunidade bem integrada e, na sua larguíssima maioria, de segunda e terceira geração” e garantiu que a rede diplomática “continua a seguir com o máximo cuidado e atenção quaisquer desenvolvimentos que possam afetar cidadãos portugueses”.

Lusa // Lusa

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